Vida dura
27 fevereiro, 2010
relógios em língua de bifes
26 fevereiro, 2010
o prometido
Como já aqui se tinha anunciado, ei-lo
e em primeira mão:

Um toldo vermelho,
Joaquim Manuel Magalhães, Relógio d´Água
25 fevereiro, 2010
a escolha do premiadíssimo Dr. Pedro Pombinho*
um poema
48.
Pedro Tamen
in O livro do sapateiro, Dom Quixote
Ardem-me os olhos de tanto me fixar
no presente vivido. Choro
inundando o que nas mãos seguro.
E é com as lágrimas dos dias,
com este pranto reclinado,
que à obra puxo o lustro,
dou brilho à sua vida, à minha.
Pedro Tamen
in O livro do sapateiro, Dom Quixote
três Manuéis
24 fevereiro, 2010
Manuel Filipe, com a amabilidade costumeira, voltou a lembrar este camarada
O livreirito aprecia especialmente o momento
em que Picasso, à falta de outros nomes, é referido
o João e eu
3 minutos de êxtase, comoção, algum barulho
e duas chamadas com a Patrícia que foram ao ar.
A culpa, obviamente, não foi da criança nem do livreirito,
foi do Sonic e de um jogo com motas.
pronto, mistura o que quiseres
a escolha do premiadíssimo Dr. Pedro Pombinho*
uma cançãozita para ouvir ao almoço
Se va la vida, Cristobal Repetto (com Javier Casalla no violín corneta)
um poema (traduzido por LP)
Às quatro já há luz.
Os lírios, os narcisos, os jacintos
e as túlipas turcas, as de turbante vermelho,
já acordaram
e voltam-se para a luz.
Penso que dormes
só a setenta quilómetros daqui
e que não posso rodear-te
com os meus braços.
Östen Sjöstrand
Os lírios, os narcisos, os jacintos
e as túlipas turcas, as de turbante vermelho,
já acordaram
e voltam-se para a luz.
Penso que dormes
só a setenta quilómetros daqui
e que não posso rodear-te
com os meus braços.
Östen Sjöstrand
23 fevereiro, 2010
tinha uma bela voz, o senhor Dylan
TWENTY-FOUR YEARS
Twenty-four years remind the tears of my eyes.
(Bury the dead for fear that they walk to the grave in labour.)
In the groin of the natural doorway I crouched like a tailor
Sewing a shroud for a journey
By the light of the meat-eating sun.
Dressed to die, the sensual strut begun,
With my red veins full of money,
In the final direction of the elementary town
I advance as long as forever is.
Dylan Thomas
in Poesía completa, Visor (edição bilingue)
Twenty-four years remind the tears of my eyes.
(Bury the dead for fear that they walk to the grave in labour.)
In the groin of the natural doorway I crouched like a tailor
Sewing a shroud for a journey
By the light of the meat-eating sun.
Dressed to die, the sensual strut begun,
With my red veins full of money,
In the final direction of the elementary town
I advance as long as forever is.
Dylan Thomas
in Poesía completa, Visor (edição bilingue)
ter cinco cartas e não trocar nenhuma pode ser uma jogada de mestre
dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras
(...)
(essa coisa que lhe deu agora de publicitar antologias é de um cidadão com os impostos em dia cair ao chão de duas em duas horas!)
(...)
novidades da Relógio d´Água
O romance Adoecer de Hélia Correia
e o livro de poesia Necrophilia de Jaime Rocha
vão ser lançados em Março.
diz o dr. Caeiro: olha, mais um haiku daqueles definitivos (e zás, lê em japonês com um impecável sotaque dos aldeões dos arrabaldes de Kamo)
nusubito ni
tori nokosareshi
mado no tsuki
Ryookan
ha dejado el ladrón:
la luna en la ventana.
Tradução de Teresa Herrero e Jesús Muñárriz
in Los 99 jaikus, Hiperión
da sub-secção e antologias, não tem, pois não?
em termos genéricos
Puta que pariu o laxismo do sub-editor,
a incompetência da assistente,
a ignorância do key-account,
o deixa-andar da relações públicas,
o analfabetismo do gestor de stocks .
Volta, Torquemada, vamos fazer umas fogueiras colossais
e deixar os arredores de Lisboa* com um cheirinho a carne queimada.
* Nada contra os habitantes dos subúrbios. Já lhes bastava o trânsito e a arquitectura, agora vivem paredes meias com uma catrefada de armazéns de livros onde, por cada centena e meia de robôs falantes, deve haver uma pessoa que goste de ler.
ó diabo, agora que o livreirito ia tão bem lançado
o raio do blogger diz que aqui
não cabe nem mais uma fotografia
a escolha do premiadíssimo Dr. Pedro Pombinho*
um poema
ENTRE LAS MOSCAS
Poetas troyanos
Ya nada de lo que podía ser vuestro
Existe
Ni templos ni jardines
Ni poesía
Sois libres
Admirables poetas troyanos
Roberto Bolaño
in Los perros románticos, Acantilado
22 fevereiro, 2010
a escolha do premiadíssimo Dr. Pedro Pombinho*
gente à conversa (enquanto o desgraçado do livreiro trabalha)
da sub-secção e antologias, não tem, pois não?
um poema
Minha irmã tinha um herbário
(um belo herbário arbóreo),
mas o tempo, que é otário,
o supremo salafrário,
embrulhou-a num sudário
perfumado a incensório,
que não a iça ao zimbório,
que a fecha, sim, num armário,
para a baixar ao crematório
onde crepita, ilusório,
esse conto do vigário
do trabalho meritório,
do trabalho necessário
ao nosso esforço gregário
para acedermos a um empório
que só vende o acessório
e, o que ainda é mais notório,
torna o mundo menos vário
e muito mais merencório.
Miguel Martins
(um belo herbário arbóreo),
mas o tempo, que é otário,
o supremo salafrário,
embrulhou-a num sudário
perfumado a incensório,
que não a iça ao zimbório,
que a fecha, sim, num armário,
para a baixar ao crematório
onde crepita, ilusório,
esse conto do vigário
do trabalho meritório,
do trabalho necessário
ao nosso esforço gregário
para acedermos a um empório
que só vende o acessório
e, o que ainda é mais notório,
torna o mundo menos vário
e muito mais merencório.
Miguel Martins
mais uns dias e chega
20 fevereiro, 2010
continua incompleta, mas vai crescendo
Ele é japoneses perorando sobre a morte, polacos angustiados com a vida, árabes doidos de amor, alemães com tuberculose, irlandeses parecidos com águias, oficiais de justiça que rimavam depois do serviço, garotas que nunca procuraram marido, herdeiros, ladrões, agiotas, chulos, e um rufião que come Armandos Varas ao pequeno-almoço.
um poema
METHAPORS OF WOMEN
What if the moon
was never a beautiful woman?
Call it a shark shearing across black water.
An ear. A drum in a desert.
A window. A bone shoe.
was never a beautiful woman?
Call it a shark shearing across black water.
An ear. A drum in a desert.
A window. A bone shoe.
What if the sea
was discovered to have no womb?
Let it be clouds, blue as the day they were born.
A ceremony of bells and questions.
A toothache. A lost twin.
was discovered to have no womb?
Let it be clouds, blue as the day they were born.
A ceremony of bells and questions.
A toothache. A lost twin.
What if a woman
is not the moon or the sea?
Say map of the air. Say green parabola.
Lichen and the stone that feeds it.
No rain. Rain.
is not the moon or the sea?
Say map of the air. Say green parabola.
Lichen and the stone that feeds it.
No rain. Rain.
Katha Pollit
AAVV, American Poets Project
tipos civilizados em línguas de trapos
a escolha do premiadíssimo Dr. Pedro Pombinho*
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