Make it rain, Tom Waits
30 novembro, 2009
terça e terça
Nos próximos feriados, 1 e 8 de Dezembro, a livraria Poesia Incompleta estará aberta em horário normal. Para quem não sabe ou não se lembra, as portas abrem às 10h e fecham às 19.45h.
várias pessoas pediram este poema que, dizem, tinham ouvido na rádio dito por um pateta qualquer
19
Cantarolar pela rua Assobiar
de mãos nos bolsos como quem tem dez anos ou cinquenta
Ter aberto um jornal que não se lê
Interromper sem razão uma conversa
Voltar ou não voltar e afinal voltar
Contagiar desta alegria toda até aqui submersa
os que não sabem nada disto ou disto riem
e só de ver sorrir assim também sorriem
confusamente sem saber porquê
isto de estar vivo é bom e não se explica
nem inventa
Mário Dionísio
in Poesia incompleta, Publicações Europa-América
Cantarolar pela rua Assobiar
de mãos nos bolsos como quem tem dez anos ou cinquenta
Ter aberto um jornal que não se lê
Interromper sem razão uma conversa
Voltar ou não voltar e afinal voltar
Contagiar desta alegria toda até aqui submersa
os que não sabem nada disto ou disto riem
e só de ver sorrir assim também sorriem
confusamente sem saber porquê
isto de estar vivo é bom e não se explica
nem inventa
Mário Dionísio
in Poesia incompleta, Publicações Europa-América
29 novembro, 2009
28 novembro, 2009
um poema
Parte poética
Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois,
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar. Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.
José Miguel Silva
in Relâmpago, n.º 12, Fundação Luís Miguel Nava
Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois,
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar. Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.
José Miguel Silva
in Relâmpago, n.º 12, Fundação Luís Miguel Nava
27 novembro, 2009
um poema
antes de nós,
cedeu a casa
dois corpos húmidos no estendal
e um milhafre. esta noite
meu amor, choveu tanto.
Renata Correia Botelho
in Um circo no nevoeiro, Averno
outra novidade
um poema
La corola entera
Nadie es alguien pero tal
vez alguien sea nadie como
yo, piensa este candidato a la
esperanza mientras estudia la
margarita de dos pétalos. Lo
mejor en estos casos es arrancar el
tallo, eludir la lógica disyuntiva
y guardarse la corola entera. No
habrá respuesta, en eso
consiste la flor.
***
A corola inteira
Ninguém é alguém mas
talvez alguém seja ninguém como
eu, pensa este candidato à
esperança enquanto estuda a
margarida de duas pétalas. O
melhor nestes casos é arrancar o
caule, iludir a lógica disjuntiva
e manter a corola inteira. Não
haverá resposta, e é nisso
que consiste a flor.
tradução de Manuel de Freitas
in Discurso opcional obrigatório, Averno
ainda está quentinho
26 novembro, 2009
um poema
tocata
quando tu tocas debussy
chove extraordinariamente
o sol as casas levemente doira
mas na saleta está-se bem
fazes sempre sempre assim!
por mim
sinto um duende benigno que sorri
não bem de ti!
nada de debussy!
mas do igual da hora
de sempre chover
de estar sempre frio lá fora
quando tu tocas debussy.
Mário Cesariny
in Manual de prestidigitação, Assírio & Alvim ou BI
quando tu tocas debussy
chove extraordinariamente
o sol as casas levemente doira
mas na saleta está-se bem
fazes sempre sempre assim!
por mim
sinto um duende benigno que sorri
não bem de ti!
nada de debussy!
mas do igual da hora
de sempre chover
de estar sempre frio lá fora
quando tu tocas debussy.
Mário Cesariny
in Manual de prestidigitação, Assírio & Alvim ou BI
da sub-secção não arranjavam uma capinha mais feia?
um poema
Mudança
Dantes gostava muito dos meus versos.
Zangou-se, que não tinha paciência
para aturar a minha falta de horas
e a vida dela ser cheia de horários,
que o tempo assassinou os meus poemas.
Poesia, ó triste bode expiatório,
mesmo assim, cuida, não me abandones!
in Dispersão, Edições Sempre-em-pé
25 novembro, 2009
um poema
A MÚSICA
Depressa
as gargantas
foram cortadas.
Agora, em ti, habitando-te:
música desse sangue
tão espesso,
tão mais espesso
que a água.
Luís Quintais
in Mais Espesso que a Água, Cotovia
Depressa
as gargantas
foram cortadas.
Agora, em ti, habitando-te:
música desse sangue
tão espesso,
tão mais espesso
que a água.
Luís Quintais
in Mais Espesso que a Água, Cotovia
dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras
(...)
Em Dezembro, vou para o Yorkshire,
para uma "cottage" que pertenceu ao Ted Hughes
(...)
chegaram nos últimos dias
são apostas que o livreirito faz com a sombra
Era óbvio que o dr. Ricardo, mais tarde ou mais cedo,
havia de se render ao livro sobre Mr. Ginsberg.
24 novembro, 2009
um poema
Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.
Reinaldo Ferreira
in Poemas, Vega
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.
Reinaldo Ferreira
in Poemas, Vega
mais uma do dr. Zé Manel
Fui ao balcão e vi que os gajos a fazer
caipirinhas com uns limões todos verdes.
aviso derivados a uma situação
Quando se vai abaixo a bateria do telefone móvel e o(a) senhor(a) cliente quer ligar-nos, não hesite, opte pelo 21 304 75 83, o número dos TLP.
23 novembro, 2009
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