30 novembro, 2009

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Make it rain, Tom Waits

terça e terça

Nos próximos feriados, 1 e 8 de Dezembro, a livraria Poesia Incompleta estará aberta em horário normal. Para quem não sabe ou não se lembra, as portas abrem às 10h e fecham às 19.45h.

várias pessoas pediram este poema que, dizem, tinham ouvido na rádio dito por um pateta qualquer

19

Cantarolar pela rua Assobiar
de mãos nos bolsos como quem tem dez anos ou cinquenta
Ter aberto um jornal que não se lê
Interromper sem razão uma conversa
Voltar ou não voltar e afinal voltar
Contagiar desta alegria toda até aqui submersa
os que não sabem nada disto ou disto riem
e só de ver sorrir assim também sorriem
confusamente sem saber porquê

isto de estar vivo é bom e não se explica
nem inventa

Mário Dionísio
in Poesia incompleta, Publicações Europa-América

apareceu esgotado

As mãos, as crinas,
Emanuel Jorge Botelho,
Secretaria Regional de Educação e Cultura

no repeat


Muito (dentro da estrela azulada), Caetano Veloso

28 novembro, 2009

um poema

Parte poética

Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois,
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar. Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.

José Miguel Silva
in Relâmpago, n.º 12, Fundação Luís Miguel Nava

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Master Blaster, Stevie Wonder

apareceu esgotado

Crónica,
João Miguel Fernandes Jorge, Moraes Editores

agora a sério


27 novembro, 2009

até amanhã



Datemi un martello, Rita Pavone

um poema


antes de nós,
cedeu a casa

dois corpos húmidos no estendal
e um milhafre. esta noite

meu amor, choveu tanto.

Renata Correia Botelho
in Um circo no nevoeiro, Averno

um poker esgotado


Trânsito proibido,
Vasco Costa Marques, Edição do Autor

Poesia dos dias úteis,
Vasco Costa Marques, Publicações Europa-América

O mundo possível,
Vasco Costa Marques, Âmbito

Venham de lá esses ossos,
Vasco Costa Marques, Edição do autor

como diria o Zé Manel pum-pum!

PATOS


Henrique Manuel Bento Fialho

outra novidade

(em castelhano e português)

O discurso opcional obrigatório,
Mariano Peyrou, Averno

(tradução de Manuel de Freitas
e prefácio de José Ángel Cilleruelo)

uma cançãozita para ouvir ao almoço



O pulso, Titãs

juro pela minha saúde


Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no Uol:

e tu, já leste?

Antologia poética,
Miguel de Unamuno, Assírio & Alvim
(tradução de José Bento)

um poema

La corola entera

Nadie es alguien pero tal
vez alguien sea nadie como
yo, piensa este candidato a la
esperanza mientras estudia la
margarita de dos pétalos. Lo
mejor en estos casos es arrancar el
tallo, eludir la lógica disyuntiva
y guardarse la corola entera. No
habrá respuesta, en eso
consiste la flor.

Mariano Peyrou

***

A corola inteira

Ninguém é alguém mas
talvez alguém seja ninguém como
eu, pensa este candidato à
esperança enquanto estuda a
margarida de duas pétalas. O
melhor nestes casos é arrancar o
caule, iludir a lógica disjuntiva
e manter a corola inteira. Não
haverá resposta, e é nisso
que consiste a flor.

tradução de Manuel de Freitas

in Discurso opcional obrigatório, Averno

ela aconselha

Antologia,
Henri Michaux, Relógio d´Água
(tradução de Margarida Vale de Gato)

ainda está quentinho

Um circo no nevoeiro,
Renata Correia Botelho, Averno

(com capa e ilustrações lindas
do mestre Luis Manuel Gaspar)

no repeat

Count Basie meets James Bond, Count Basie

26 novembro, 2009

um poema

O peixe-espada
Desembainhado
Na areia, brilha

Luis Pignatelli
in Galáxias, Moraes Editores

ela aconselha


Poemas de Ruy Belo ditos por Luís Miguel Cintra (2 cds),
Assírio & Alvim

estão antes dos bês

Versos,
Amália Rodrigues, Livros Cotovia

Alexandre bissexto,
Armando Silva Carvalho, Presença

A pão e água de colónia (seguido de uma autobiografia sumária),
Adília Lopes, Frenesi

um poema

tocata

quando tu tocas debussy
chove extraordinariamente
o sol as casas levemente doira
mas na saleta está-se bem
fazes sempre sempre assim!

por mim
sinto um duende benigno que sorri
não bem de ti!
nada de debussy!
mas do igual da hora
de sempre chover
de estar sempre frio lá fora
quando tu tocas debussy.

Mário Cesariny
in Manual de prestidigitação, Assírio & Alvim ou BI

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

a propósito de senhores

Os Lusíadas,
Luís de Camões, Guimarães Editores

e tu, já leste?

Alexandra Lucas Coelho, Tinta da China

apareceu esgotado

Boomerang,
Emanuel Jorge Botelho, Frenesi

da sub-secção não arranjavam uma capinha mais feia?


Exaltação do prazer -
Antologia poética portuguesa erótica, burlesca e satírica do século XVIII,
AAVV, Vega

um poema

Mudança

Dantes gostava muito dos meus versos.
Zangou-se, que não tinha paciência
para aturar a minha falta de horas
e a vida dela ser cheia de horários,
que o tempo assassinou os meus poemas.
Poesia, ó triste bode expiatório,
mesmo assim, cuida, não me abandones!

Nuno Dempster
in Dispersão, Edições Sempre-em-pé

no repeat


Soltar a língua, Acert

25 novembro, 2009

até amanhã


Witkin

um par do ás

Para uma cultura fascinante,
Ernesto Sampaio, Edição do autor

Luz central,
Ernesto Sampaio, Edição do autor

chegou entre os da Vega

As casas e o vento,
José Manuel de Vasconcelos, Vega

ainda no capítulo das novidades

O tempo de perfil - Obra poética,
Luísa Freire, Assírio & Alvim

profundissimamente hipocondríaco

A cidade e os livros,
Antonio Cicero, Quasi

* é um verso de Augusto dos Anjos

um poema

A MÚSICA

Depressa
as gargantas
foram cortadas.

Agora, em ti, habitando-te:
música desse sangue
tão espesso,

tão mais espesso
que a água.

Luís Quintais
in Mais Espesso que a Água, Cotovia

mais lição de Stevie Wonder (capítulo XXXVIII)



Superstition, Stevie Wonder

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Em Dezembro, vou para o Yorkshire,
para uma "cottage" que pertenceu ao Ted Hughes

(...)

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

chegaram nos últimos dias


Anotação do mal,
Jaime Rocha, Sextante

West End Final,
Hugo Williams, Faber & Faber

Livro do desassossego,
Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

são apostas que o livreirito faz com a sombra


Era óbvio que o dr. Ricardo, mais tarde ou mais cedo,
havia de se render ao livro sobre Mr. Ginsberg.

apareceu esgotado

Bardo,
José Amaro Dionísio, & etc

no repeat


Supernatural, Stereo MC´s

24 novembro, 2009

até amanhã


Ansel Adams

um poema

Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.

Reinaldo Ferreira
in Poemas, Vega

mais uma do dr. Zé Manel

Fui ao balcão e vi que os gajos a fazer
caipirinhas com uns limões todos verdes.

sábado é depois de sexta



(não sejas bronco, clica hoje
e vai à festa no sábado)

já deve vir a caminho

Poemas de amor - Antologia poética latina (I a.C. - III),
AAVV, Relógio d´Água

estão depois do M

Parte alguma,
Nelson Ascher, Companhia das Letras

Icaríada...,
Nunes da Rocha, & etc


Dispersão - Poesia reunida,
Nuno Dempster, Edições Sempre-em-pé

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

quatro de três


Tigres de papel,
Paulo da Costa Domingos, Frenesi

Quiasma,
Rui Baião, Frenesi

Aqui se reúnem CAÇADORES PESCADORES e outros MENTIROSOS,
Jorge Fallorca, Frenesi

Violeta náutica,
Paulo da Costa Domingos, Frenesi

chegaram nos últimos dias


Jukebox 1 & 2,
Manuel de Freitas, Teatro de Vila Real

Canções de inocência e de experiência,
William Blake, Assírio & Alvim

Escalpe,
Amadeu Baptista, & etc

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras



(parecendo que não,
vê-se melhor clicando na imagem)

aviso derivados a uma situação

Quando se vai abaixo a bateria do telefone móvel e o(a) senhor(a) cliente quer ligar-nos, não hesite, opte pelo 21 304 75 83, o número dos TLP.

apareceu esgotado

As mãos, as crinas,
Emanuel Jorge Botelho, Secretaria Regional de Educação e Cultura

no repeat

Tropique Samba Lounge Emoriô, AAVV

23 novembro, 2009

até amanhã

Weegee

um trio da Media Vaca (ainda a ferver)

Valencia,
Rafael de Luis e Bartolomé Ferrando, Media Vaca

Cómo hacerse rico,
Jeff Fisher, Media Vaca

Madame Leonarda,
Artur Heras, Media Vaca

da sub-secção não arranjavam uma capinha mais feia?

Tempo será,
J.G. de Araujo Jorge, Record

vem no jornal

Pina Rules



(Não é do dia, mas continua óptima)

(cá continua guardado) um presente para o mestre

Pantouns malais,
Orphée La Différence

Em 2010, fará 80 anos.

quinta-feira


Luiz Pacheco e a Contraponto,
finalmente,
na Biblioteca Nacional.