31 outubro, 2009

bom domingo



Jacqueline du Pré (com a mãe ao piano)
a dar-lhe bem no Granados

a Livraria Pó dos Livros recomenda (e esta, benza-a deus, também, não desfazendo)

Dicionário do diabo,
Ambrose Bierce, Tinta da China

Caderno afegão - Um diário de viagem,
Alexandra Lucas Coelho, Tinta da China

Obra poética completa,
Edgar Allan Poe, Tinta da China

limitado é a tua prima

A Phala nº 4, Assírio & Alvim

pronto, mistura o que quiseres

La isla tuerta - 49 poetas británicos (1946-2006),
AAVV, Lumen

Estórias de coisas,
José-Alberto Marques, Bonecos Rebeldes

Resistência da poesia,
Jean-Luc Nancy, Vendaval

Canções e outros poemas,
António Botto, Quasi

A via estreita,
Alexei Bueno, Editorial Nova Fronteira

Alçapão,
Manuel Cintra, & etc

Poesia,
António Maria Lisboa, BI

Insónias e estátuas,
António Barahona da Fonseca, edição do autor

Selected poems,
Fernando Pessoa, Penguin

Facto / Fado...,
João Pedro Grabato Dias, Edição do autor

um poema

Hoje vou para o mercado velho expor o meu corpo em pedaços
cada um bem identificado por uma etiqueta com nome e valor
tenho esperança de realizar uma boa transacção há tanta coisa lá
para trocar pelos pedaços ainda em bom estado deste meu corpo
inteiro não tem muita utilidade mas assim a retalho é precioso
em particular a mão direita o crânio o sexo o coração
oxalá ninguém queira comprar por atacado todos os pedaços
é que não sei onde guardei as instruções de montagem.

Carlos Alberto Machado
in Talismã, Assírio & Alvim

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

CUIDAR EM PEDIATRIA+POEMA

mais uma contrariedade


o livreirito tentou entrar
no blogue de Miguel Martins e deu com o nariz no écran.

vem no jornal

y que jugó con peluca en el Roland Garros de 1990

Fontes próximas da PI asseguram que, em Novembro,
Agassi revelará que teve um romance com Morais Sarmento,
se aconselhou com Manuel Frexes em matérias literárias,
e fez negócios com Armando Vara.

da santa Rússia ao Brasil (com tripas abjeccionistas pelo meio)

Poesia russa Moderna,
AAVV, Perspectiva

Surreal / Abjeccion ismo,
AAVV, Salamandra

Das tripas ao coração,
AAVV, Campo das Letras


Boa companhia: Poesia,
AAVV, Companhia das Letras

está cá a primeira edição (e a segunda também)

De ombro na ombreira,
Alexandre O´Neill, Dom Quixote

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Get behind the mule, Tom Waits

(à atenção da Lebre)

da sub-secção gente que não dominava completamente a língua de António Sardinha

33 poesias,
Vladimir Maiakovski, Quasi

um poema

Ah, que extraordinário,

Ah, que extraordinário,
Nos grandes momentos do sossego da tristeza,
Como quando alguém morre, e estamos em casa dele e todos estão quietos
O rodar de um carro na rua, ou o canto de um galo nos quintais...
Que longe da vida!
É outro mundo.
Viramo-nos para a janela, e o sol brilha lá fora
Vasto sossego plácido da natureza sem interrupções!

Álvaro de Campos
in Livro de Versos - Fernando Pessoa, Estampa

é só uma impressãozinha na vista

e uma pessoa, claro, sorri com estas coisas

Dylan Thomas

60% activo

Escreve no mural dele

no repeat


Small change, Tom Waits

30 outubro, 2009

até amanhã




Os primeiros minutos de Zelig, de Woody Allen.

dois Davids

Os quatro cantos do tempo,
David Mourão-Ferreira, Livros de Portugal

Selected poems - 1959-1989,
David Malouf, Chatto Poetry

é o que dá receber sábios


Alberto Pimenta, a propósito do correr do tempo disse:

O tempo não tem imaginação nenhuma.

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Nem imaginas como isso me deixa satisfeito. Só duas pessoas disseram que gostaram do clip: a minha mulher e o meu chavalo. Claro que se dissessem o contrário apanhavam... em especial, a minha mulher. Já andava com dúvidas existenciais: será que as pessoas compreenderam a brincadeira? Será que sou estúpido? Claro que o mais certo era eu ser estúpido.

(...)

cuidado, Casimiro

um poema

CÉLINE

para a Julie

A vida tem destes acasos literários:
um comboio, dois livros e a pior
das razões para nos apaixonarmos.
Tenho vinte e dois anos e o equivalente
em retratos teus – periféricos ou não –
catalogados de acordo com as horas psicologicamente
intermináveis do teu sorriso.

O nosso amor é como o lado vazio duma ampulheta,
ou seja, inverso ao próprio tempo que não marca
o surgir inesperado daquelas noites em que tudo acontece
numa peça de teatro à qual nunca comparecemos.

As tuas mãos são um jardim demasiado inconstante
para fazer fila e esperar a morte. Tens seis letras no nome
e antes que amanheça saberei em que lugar do meu corpo
cada uma delas cabe.

David Teles Pereira
in Criatura, n.º 2, Núcleo Autónomo Calíope da Faculdade de Direito de Lisboa

a meio da tarde, uma cançãozita



Lenda, CéU

3 labirintos

A irresistível voz de Ionatos,
Victor Oliveira Mateus, Labirinto

Chave de ignição,
Ruy Ventura, Labirinto

As flores do caos,
Ildásio Tavares, Labirinto

apareceu esgotado

Prazo de validade,
Luiz Pacheco, Contraponto

que a brisa do Brasil beija e balança*

Bagagem,
Adélia Prado, Record

* é um verso de Castro Alves

Santana e uma elegante maneira de revelar que não arranjou um lugar que pague melhorzinho

da sub-secção gente que não dominava completamente a língua de António Sardinha

Collected shorter poems - 1927-1957,
W.H. Auden, Faber & Faber

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Se você paga duas vezes os livros
entao é que nao vai sobrar dinheiro para o tabaco!

(...)

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

é só uma impressãozinha na vista

pronto, mistura o que quiseres

Pomas, um tostão cada,
James Joyce, Iluminuras

Cancioneiro policial da menina Alzira,
Luís de Sousa Costa, Fenda

Amargas cores do tempo,
Nuno de Figueiredo, Quasi

Días en claro,
José Mateos, Pre-textos

Laocoonte, rimas várias, andamentos graves,
Vasco Graça Moura, Quetzal

Inimigo Rumor nº 14,
AAVV, 7 Letras, Livros Cotovia, Angelus Novus, Cosac Naify

Logo, em Porto Formoso,
Carlos Mota de Oliveira, Edição do autor

Pido la paz y la palabra,
Blas de Otero, Lumen

Quarta-feira de cinzas,
T.S. Eliot, Hiena

Pela água,
Sylvia Plath, Assírio & Alvim

Em qualquer lugar seguido de O pranto de Bartolomeu de las Casas,
Manuel Resende, & etc

Mapas o Assombro a Sombra,
Manuel Gusmão, Caminho

rir faz bem






um poema

LARGO DA MATERNIDADE

Não te esqueças
do que é preciso comprar na mercearia:
leite e pão para dar ao dente,
jornais e revistas para folhear,
tabaco no quiosque do Zé Silva
(morreu de cancro, é claro,
se não é uma puta, a vida,
não sei o que será
por mais que me apeteça vivê-la).

Se demorar, é porque assisto embevecido
à migração dos autocarros
ou às obras na rodovia
(também tu sabes ser às vezes
um martelo pneumático),
ou porque algo me trouxe a esta mesa
ao pé da porta do W. C.,
de onde não sairei antes de a noite
pousar no cinzeiro
e rua abaixo, escadas acima,
me empurrar até à porta do lar.

Estarás porventura à minha espera.
Eu, decerto fora de mim,
entrarei no quarto,
alheio às nódoas na camisa
que hás-de lavar no tanque amanhã,
nódoa negra no braço
e pala no olho
a tapar o inchaço.

Rui Lage
in Revólver, Quasi

no repeat

Shadows of Intolerance, Tom Waits

29 outubro, 2009

até amanhã



A abertura de O Inimigo Público, de Woody Allen.

um poema

Ai, Margarida,

Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.

Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.

E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.

Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.

Comunicado pelo Engenheiro Naval
Sr. Álvaro de Campos em estado
de inconsciência
alcoólica.

Álvaro de Campos
in Livro de Versos - Fernando Pessoa, Estampa

cinco do teatro

Capitais da solidão,
Rui Pires Cabral, Teatro de Vila Real

Terra sem coroa,
Manuel de Freitas, Teatro de Vila Real

Falésias,
Jorge Gomes Miranda, Teatro de Vila Real

Que comboio é este,
A.M. Pires Cabral, Teatro de Vila Real

Diques,
Rui Pedro Gonçalves, Teatro de Vila Real

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

O que diria ele do Persona, esse filme tão DIGA SIM?
Grande Diogo, caralho!

(...)

apesar de os números parecerem exagerados



adolescente russo invade Coimbra



Mais especificamente:
Galeria Santa Clara, em Coimbra,
no dia 31 de Outubro de 2009, 22h00.

vem no jornal

o senhor Saramago conhece o peso da palavra com que Camões fecha aquele livrito épico

Provavelmente Alegria,
José Saramago, Caminho

o facebook não é só desgraças

A dona Débora escreveu ontem:


O António Maria Lisboa saiu-me da mala. para entrar o Pasolini.

pronto, mistura o que quiseres

A parte pelo todo,
João Luís Barreto Guimarães, Quasi

Bellis Azorica,
João Miguel Fernandes Jorge, Relógio d´Água

A carvão,
Fernando de Castro Branco, Cosmorama

O amante japonês,
Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim

A inexistência de Eva,
Filipa Leal, Deriva

Buffalo Bill ha muerto,
E.E. Cummings, Hiperión

O rei de sodoma e algumas palavras em sua homenagem,
José António Almeida, Presença

Eu, o povo,
Mutimati Barnabé João, BI

Poemas escolhidos,
Jorge Luis Borges, Dom Quixote

Os cantos de Maldoror - Poesias I & II,
Isidore Ducasse, Antígona

Malgré les ruines et la mort,
Sophia de Mello Breyner, Éditions de la différence

Em torno do desejo de prisão,
Elizabeth Bishop, Letra Livre

Melos melancolía,
Carlos Edmundo de Ory, Igitur