23 março, 2012

uma categoria


Gramática Expositiva Do Chão,
Manoel De Barros, Record

uma novidade não pode durar duas semanas

Um País Que Sonha – Cem Anos de Poesia Colombiana,
AAVV, Assírio & Alvim

um poema

BEM SEI QUE TUDO É NATURAL

Bem sei que tudo é natural
Mas ainda tenho coração...

Boa noite e merda!...
(Estala, meu coração!)
(Merda para a humanidade inteira!)

Na casa da mãe do filho que foi atropelado,
Tudo ri, tudo brinca.
E há um grande ruído de buzinas sem conta a lembrar

Receberam a compensação:
Bebé igual a X,
Gozam o X neste momento,
Comem e bebem o bebé morto,
Bravo! São gente!
Bravo! São a humanidade!
Bravo: são todos os pais e todas as mães
Que têm filhos atropeláveis!
Como tudo esquece quando há dinheiro.
Bebé igual a X.

Com isso se forrou a papel uma casa.
Com isso se pagou a última prestação da mobília.
Coitadito do Bebé.
Mas, se não tivesse sido morto por atropelamento, que seria das contas?
Sim, era amado.
Sim, era querido
Mas morreu.
Paciência, morreu!
Que pena, morreu!
Mas deixou o com que pagar contas
E isso é qualquer coisa.
(É claro que foi uma desgraça)
Mas agora pagam-se as contas.
(É claro que aquele pobre corpinho
Ficou triturado)
Mas agora, ao menos, não se deve na mercearia.
(É pena sim, mas há sempre um alívio.)

O bebé morreu, mas o que existe são dez contos.
Isso, dez contos.
Pode fazer-se muito (pobre bebé) com dez contos.
Pagar muitas dívidas (bebezinho querido)
Com dez contos.
Pôr muita coisa em ordem
(Lindo bebé que morreste) com dez contos.

Bem se sabe é triste
(Dez contos)
Uma criancinha nossa atropelada
(Dez contos)
Mas a visão da casa remodelada
(Dez contos)
De um lar reconstituído
(Dez contos)
Faz esquecer muitas coisas (como o choramos!)
Dez contos!
Parece que foi por Deus que os recebeu
(Esses dez contos).
Pobre bebé trucidado!
Dez contos.

Álvaro de Campos

também cá está

Disrupção,
Jorge Melícias, Cosmorama

a propósito de senhores

A Coney Island Of The Mind,
Lawrence Ferlinghetti, New Directions

uma pouca vergonha pegada ou as célebres punhetas metafóricas do doutor Claro

Correspondência A Três,
Rilke / Pasternak / Tsevétaïeva, Assírio & Alvim

uma maioria, um governo, um presidente, um livro de horas

Discurso Sobre O Filho Da Puta,
Alberto Pimenta, 7 Nós

21 março, 2012

não aparece todos os dias

O Manual Das Mãos,
Eduardo White, Campo Das Letras

disto é que o livreirito não se cansa

Trabalho Poético,
Carlos De Oliveira, Assírio & Alvim

espalhados pelas estantes


A Mãe De Todas As Histórias,
José António Almeida, Averno

A Caixa Negra,
Josep M. Rodríguez, Averno

Nada Serve,
José Amaro Dionísio, Averno

Livre Arbítrio,
Tiago Araújo, Averno

Cinco Rosas Para António Manuel Couto Viana,
Luis Manuel Gaspar e Manuel de Freitas, Averno

Senhor Gouveia,
Vítor Nogueira, Averno

Broto Sofro,
Jorge Roque E Guilherme Faria, Averno

Raspar o Fundo da Gaveta e Enfunar uma Gávea,
António Barahona, Averno

Oráculos De Cabeceira,
Rui Pires Cabral, Averno

uma relojoaria


A Terceira Miséria,
Hélia Correia, Relógio D´Água

Lagoeiros,
João Miguel Fernandes Jorge, Relógio D´Água

O Livro Das Imagens,
Rainer Maria Rilke, Relógio D´Água

A Sede Entre Os Limites,
Ulla Hahn, Relógio D´Água

Erros Individuais,
José Miguel Silva, Relógio D´Água

O Prelúdio,
William Wordsworth, Relógio D´Água

Cenas Vivas,
Fiama Hasse Pais Brandão, Relógio D´Água

Caras Baratas - Antologia,
Adília Lopes, Relógio D´Água

Toldo Vermelho,
Joaquim Manuel Magalhães, Relógio D´Água

Ofício De Vésperas,
Rui Nunes, Relógio D´Água

Cutucando A Musa,
Jorge Fazenda Lourenço, Relógio D´Água

A Ponte,
Hart Crane, Relógio D´Água

Poemas E Prosas,
Konstandinos Kafavis, Relógio D´Água

Instante,
Wislawa Szymborska, Relógio D´Água

Folhas De Erva,
Walt Whitman, Relógio D´Água

Furor E Mistério,
René Char, Relógio D´Água

Rima Do Velho Marinheiro,
Coleridge, Relógio D´Água

Cem Poemas,
Emily Dickinson, Relógio D´Água