27 janeiro, 2012

a Cláudia e o Miguel

outro Benjamim

Too Black, Too Strong,
Benjamim Zephaniah, Bloodaxe

da sub-secção não arranjavam uma capinha mais feia?

The Hat,
Selima Hill, Bloodaxe

entrou há pouco

Trabalhos E Paixões De Fernando Assis Pacheco,
Nuno Costa Santos, Tinta Da China

também cá está

Itinerâncias,
Cláudio Lima, Opera Omnia

na cabeceira do presidente

Collected Poems - 1909-1962,
T.S. Eliot, Faber & Faber

na segunda sala

La Ruta De Occitania - Poesía Reunida (1972-2006),
J.L. Giménez-Frontín, Igitur

não ofereças, compra para ti

Omeros,
Derek Walcott, Companhia das Letras

25 janeiro, 2012

minha querida Espanha

Poemas (1979-1997),
Antonio Parra, Renacimiento

do sofá para a segunda sala

Tengo un amigo que no tiene amigos,
Pepe Quero, Cangrejo Pistolero

saudades do Brasil em Portugal*

Rua do Mundo,
Eucanãa Ferraz, Companhia das Letras

* é um verso de Vinicius de Moraes

um poema

O SILÊNCIO DAS PLANTAS

O relacionamento unilateral entre mim e vocês
não vai mal de todo.

Sei o que são folhinhas, pétalas, espigas, pinhas, caules
e o que se passa convosco em Abril e Dezembro.

E embora a minha curiosidade não seja correspondida,
inclino-me especialmente sobre umas
e ergo a cabeça para outras.

Para mim, vocês têm nomes:
ácer, bardana, anémona,
urze, zimbro, visgo, miosótis,
já eu, para vocês, nenhum.

Viajamos juntas.
E nas viagens conversa-se.
Trocam-se opiniões, nem que seja sobre o tempo
ou sobre as estações velozmente atravessadas.

Temas não faltariam, pois temos muito em comum.
Estamos ao alcance da mesma estrela.
Fazemos sombra, regidas pelas mesmas leis.
Tentamos saber algo, cada uma à sua maneira
e o que não sabemos também nos assemelha.

Perguntei, tentarei esclarecer-vos:
o que é ver com os olhos,
para que me bate o coração
e porque o meu corpo não cria raízes.

Mas como responder às perguntas não colocadas,
ainda por cima, sendo eu para vocês assim,
tão ninguém.

Moitas, pinhais, prados e juncais,
tudo o que vos digo é um monólogo,
mas não são vocês que o ouvem.

Uma conversa com vocês é imprescindível e impossível.
Urgente nesta vida apressada
e adiada para nunca.

Wislawa Szymborska (traduzida por Elzbieta Milewsk e Sérgio Neves)
in Instante, Relógio d´Água

dos fantasmas de Fanã

A poesia de Alberto Caeiro,
Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

as façanhas de Martins Rogoff, da descoberta do caminho marítimo para Telheiras à milagrosa invenção da pílula de alho

Lérias,
Miguel Martins, Averno

consta que o autor tem três cérebros

Doutor Avalanche,
Rui Manuel Amaral, Angelus Novus

24 janeiro, 2012

na segunda sala

Pedro e Inês: Dolce Stil Nuovo,
Nuno Dempster, Edições Sempre-Em-Pé

um barão no sofá

A Educação do Estóico,
Barão de Teive, Assírio & Alvim

pancada de meia-noite

Dedicácias,
Jorge de Sena, Guerra & Paz

à meia luz

um poema

There is no God,
there is no director,
there is no conductor.
The world makes itself happen,
the play plays itself,
the orchestra plays itself.
And if the violin drops from somebody´s hand
and their heart stops beating
the man and his death never meet:
there´s nothing behind the glass;
the other side is nothing, is just a mirror
where my own fear regards me
with big eyes.
And behind this fear,
if only you look carefully enough,
there are grass and sunflowers
turning slowly by themselves towards the sun
without a God, a director, a conductor.

Jaan Kaplinski (traduzido por Jaan Kaplinski e Fiona Sampson)
in Selected poems, Bloodaxe

finalmente

o precário equilíbrio dos poetas

Poesía original completa,
Francisco Quevedo, Planeta

23 janeiro, 2012

um poema

O AUSCULTADOR

Sonho que acordo
pois ouço o telefone.

Sonho com a certeza
de que liga quem já faleceu.

Sonho que estendo a mão
para o auscultador.

Só que este auscultador
não é como era,
tornou-se pesado,
como se estivesse colado a alguma coisa,
em algo encravado,
como se algo enleasse com raízes.
Teria de o arrancar
juntamente com toda a Terra.

Sonho que me debato
em vão.

Sonho com o silêncio,
já que deixou de tocar.

Sonho que adormeço
e acordo novamente.


Wislawa Szymborska (traduzida por Elzbieta Milewsk e Sérgio Neves)
in Instante, Relógio d´Água

pronto, mistura o que quiseres

Spoon river - Uma antologia,
Edgar Lee Masters, Relógio d´Água

Epitafio,
Giorgio Bassani, Visor

Poemas,
Vladímir Maiakóvski, Perspectiva

Ainda não,
António Manuel Couto Viana, Averno

Infierno sostenido, Óscar Santos Payán,
El Gaviero

Escreviver,
José Luís Grünewald, Perspectiva

O mistério do coiso e outras histórias,
Thomas Bakk, Boca

Lisboas,
Armando Silva Carvalho, Quetzal Editores

Aesth/Ethica,
Carlos Couto Sequeira Costa, Fenda

Personae - Los poemas breves,
Ezra Pound, Hiperión

Fuego soy, apartado y espada puesta lejos,
Gioconda Belli, Visor

Monodrama,
Carlito Azevedo, Livros Cotovia

O casamento sempre foi gay e nunca triste,
José António Almeida, & etc

Música antológica & onze cidades,
Rui Pires Cabral, Presença

Registo civil - Poesia reunida,
Carlos Alberto Machado, Assírio & Alvim

Livro das esmolas,
Adelino Ínsua, Opera Omnia

Sentimento do tempo,
Giuseppe Ungaretti, Dom Quixote

A viagem possível - Poesia (1965/1992),
Emanuel Félix, Vega

A poesia portuguesa hoje,
Gastão Cruz, Relógio d´Água

Douro: Pizzicato e Chula,
A.M. Pires Cabral, Livros Cotovia

Teoria da tributação,
Carlos Wallenstein, Sociedade de Expansão Cultural

Vetas y naturalezas,
Valerio Magrelli, Visor

Lero-lero (1967-1985),
Cacaso, Cosac Naify

Melhores poemas de...,
Augusto Meyer, Global

Poemas escolhidos,
Eunice de Souza, Livros Cotovia

Poemas portugueses -
Antologia da poesia portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI,
AAVV, Porto Editora

Transparências,
Maria Graciete Besse, & etc

The selected poetry and prose of...,
Andrea Zanzotto, Chicago Press

Eliot e outras observações,
Pedro Mexia, Gótica

El polizón desnudo,
Ana Tapia, El Gaviero

Norte magnético,
Rafael Fombellida, DVD Ediciones

Wirrwarr,
Edoardo Sanguinetti, Visor

Nós dois ainda,
Henri Michaux, Bonecos Rebeldes

Paraíso perdido,
John Milton, Livros Cotovia

Lábios de cinza,
António Ferreira, & etc