30 maio, 2011

todo aperaltado, à esquerda de quem entra

Selected poetry,
Alexander Pope, Oxford University Press

um na primeira, outro na segunda e os cavalos na terceira

A ampola miraculosa,
Alexandre O´Neill, Assírio & Alvim

Detrás de todo esto se oculta una gran felicidad,
Yehuda Amijai, La poesía, señor Hidalgo

Poems about horses,
AAVV, Everyman´s Library

já apareceu e há-de voltar

Na ribeira do Eufrates assentado,
discorrendo me achei pela memória
aquele breve bem, aquela glória,
que em ti, doce Sião, tinha passado.

Da causa de meus males perguntado
me foi: "Como não cantas a história
de teu passado bem e da vitória,
que sempre de teu mal hás alcançado?

Não sabes que a quem canta se lhe esquece
mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte."

Respondo com suspiros: "Quando crece
a muita saüdade, o piedoso
remédio é não cantar senão a morte."

Luís de Camões,
in Lírica completa - II, Imprensa Nacional

não anda praí aos pontapés

A segunda imagem,
Natércia Freire, Sociedade de Expansão Cultural

28 maio, 2011

da Passos Manuel à Cecílio de Sousa é um tirinho

Previsão de tempo para utopia e arredores,
Charles Simic, Assírio & Alvim

f, g, H, I, j, k


Estórias domésticas,
Henrique Manuel Bento Fialho, Ovni

Um dia e outro dia... outono havias de vir,
Irene Lisboa, Presença

encostados à parede



não anda praí aos pontapés

Corografias,
Pedro da Silveira, Perspectivas & Realidades

mais um inédito do Público

LÍRIOS

Um dia deixarei para sempre o casaco no cabide da entrada
outras mãos que não as minhas haverá para o recolher
outros olhos pelos meus lhe hão-de fitar depois a ausência.
Depois, nem isso.
Há um momento em que se estende a toalha sobre a mesa dos mortos
como se tivesse sido sempre a mesa dos vivos. Esse dia virá.
Tudo então estará certo e limpo como o esquecimento.
Ou quase assim.

Dispo agora toda esta roupa e escrevo
- sem frio nem perda nem desastre -
a partir desse dia que virá, esse dia depois de mim:

lírios crescem no acaso vivo da relva
uma leve poeira se acrescenta ao ar que não respiro.

Rosa Maria Martelo

25 maio, 2011

um poema

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.

Jorge de Sena
in Peregrinatio ad loca infecta, Portugália

Inquieto e franco, altivo e carinhoso, será sempre sem pátria*

O Som do Sôpro,
António Barahona, Poesia Incompleta


* é um verso de Jorge de Sena

do assombro e das sombras

estou quase uma obra feita

Nove poemas de casa e três do mundo,
Carlos Mota de Oliveira, Fenda

não anda praí aos pontapés

Antologia provisória,
Pedro Tamen, Limiar

não sendo John Christopher Depp II, há muitas miúdas que ainda hoje gritam Henri, Henri, faz-me um filho

Equador,
Henri Michaux, Fenda

Retrato de los meidosems,
Henri Michaux, Pre-textos

Antologia,
Henri Michaux, Relógio d´Água

Toward totality,
Shivastan Publishing, Henri Michaux

Nós dois ainda,
Henri Michaux, Bonecos Rebeldes

Poteaux d´angle,
Henri Michaux, Gallimard


parece um senhor, como direi, um pouco desgovernado

Complete Poetry, Translations and Selected Prose,
Bernard Spencer, Bloodaxe

24 maio, 2011

poetas com chapéu

Selected Poems,
Linton Kwesi Johnson, Penguin

da sub-secção e antologias, não tem, pois não?

Poemas portugueses -
Antologia da poesia portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI,
AAVV, Porto Editora

Moura, amigo, o povo está contigo

Os livros de Hélice Fronteira, Regina Neri, Vasquinho Dasse,
Ivo Longomel, Adraar Brous, Robes Rosa,
Estevão Corte e Alexandre Singleton,

Nuno Moura, Mariposa Azual

era antes do PREC, Herberto Helder

The conference of the birds,
Farid Ud-Din Attar, Penguin

um poema

may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)

may i stay said he
which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she

but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she

(cccome?said he
ummm said she)
you're divine!said he
(you are Mine said she)

E.E. Cummings
in Buffallo Bill ha muerto, Hiperión (em inglês-castelhano)
ou Complete Poems, Liveright (em inglês)

um par de Miguel Martins

Cirrose,
Miguel Martins, Fenda

Proibida a entrada a animais (Excepto cães-guia),
Miguel Martins, Língua Morta