29 janeiro, 2010

não compres, não troques, não ofereças, não peças, não roubes

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uma novidade não pode durar duas semanas

Sonetos para-infantis,
Pedro Ludgero, Incomunidade

da sub-secção gostava de vos ver aqui

59

Onde se pode gritar ou silenciar ou laminar uma pétala muito ténue e olorosa é que é a inauguração do casal e da morte irrelevante, reparável, exemplar, digo.

60

Oferece-te onde não possas recusar após desvio, tentativas, tentações. Carne viva, há outra regra?

Maria Velho da Costa
in Da rosa fixa, Quetzal Editores


do mesmo autor de Técnicas de engate

Lisboas,
Armando Silva Carvalho, Quetzal Editores

da sub-secção poetas que comoveram os companheiros de Nuno Salvação Barreto

Os triunfos de...,
Petrarca, Bertrand

e uma pessoa, claro, sorri com estas coisas


xxxxxxxx sugere que te tornes fã de
Pessoas fartas dos comentários de Pacheco Pereira.

noves fora, três vezes oito, ora, digamos, é fazer as contas

Dia 11 de Janeiro, a Distribuidora de Livros Bertrand recebeu uma encomenda deste vosso criado. Hoje, dia 29 de Janeiro, a entrega foi feita. Além daquela frase dos hipermercados, e da revelação das datas, parece-me, fica pouco por dizer.

a propósito de senhores

Poesías completas,
Pedro Salinas, De Bolsillo

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Cadeira vazia, Elis Regina

pronto, mistura o que quiseres

Lábio cortado,
Rui Almeida, Livro do Dia

Europa e mais 3 poemas,
Rui Miguel Ribeiro, Letra Livre

Poesía completa,
José Agustín Goytisolo, Lumen

Cirrose,
Miguel Martins, Fenda

Canções usadas,
AAVV, Oficina do Cego

Rimas do velho marinheiro,
Coleridge, Relógio d´Água

Indulgência plenária,
Alberto Pimenta, & etc

Telhados de Vidro nº 13,
AAVV, Averno

Como eu costumava dizer,
Lawrence Ferlinghetti, Dom Quixote

Poesia,
Rabindranath Tagore, Assírio & Alvim

Sequências,
Jorge de Sena, Moraes Editores

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

da sub-secção Informações não totalmente fidedignas*

Poemas do cárcere,
Ho Chi Minh, Laemmert


* Ho Chi, como era tratado pelos amigos, escreveu a maior parte destes poemas a quatro mãos com Garcia Pereira, no Limoeiro.

no repeat

Live in Europe 1964, Thelonious Monk

28 janeiro, 2010

não compres, não troques, não ofereças, não peças, não roubes

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um poema

AMIGOS CITADINOS

Uma noite, no Clube Atlético Illinois, bebi cerveja
velha com o milionário que fabrica a manteiga Green River.
E a cara resplandecia-lhe como a de um antigo Quaker
enquanto falava da sua belíssima filha, e eu sabia
que ele trazia na manga a paz e a felicidade.
Depois ouvi Jim Kirch discursar na Associação de
Publicidade sobre os recursos comerciais da América do Sul.
E pela maneira como acendia um charuto dos baratos
e o deixava pendurado de um dos cantos da
boca, sem se ralar com os modos da gente bem,
percebi que soubera deitar a unha à verdadeira felicidade,
apesar de um ou outro jornalista lhe chamar
o retrato vivo do Lobo do Mar de Jack London.
Até o administrador do concelho, no seu gabinete, me
disse que era feliz, embora experimentasse algumas
dificuldades para contentar todos os
caçadores de empregados e para participar em todos
os banquetes que lhe eram oferecidos.
Lá em baixo, em Gilpin Place, perto de Hull House,
encontrava-se um homem com os queixos atados,
torturado pela dor de dentes,
e no entanto, no que respeita a felicidade, batia de
longe o milionário da manteiga, Jim Kirch e o
administrador do concelho.
É fabricante de concertinas e de guitarras: não só as
fabrica com as próprias mãos do princípio ao
fim, como também as toca depois de as ter acabado.
Tinha uma guitarra de mogno com o fundo de nogueira;
deixava-ma por sete dólares e meio se a quisesse;
e tinha outra parecida, mais pequena, por seis dólares,
mas só me disse o preço quando lho perguntei,
e disse-o com certo embaraço, como se o fabrico de
um instrumento e a música valessem um milhão
de vezes o preço em dinheiro.
Pensei que ele tinha uma alma das verdadeiras e
compreendi algo mais sobre Deus.
Havia nos seus olhos a luz de quem conquistara a
dor até aquele ponto em que a dor é conquistável
ou digna de o ser.
Foi o único cidadão de Chicago que invejei naquele dia.
Tocou uma dança que se costuma ouvir algures em Itália,
quando, terminada a vindima, se vai pisar os cachos.

Carl Sandburg
(traduzido por Alexandre O´Neill)
in Antologia poética, Tempo de poesia

apareceu esgotado

Nada de mutações bruscas na paisagem,
Manuel de Castro, Alexandria

da sub-secção não ofereças, compra para ti

Poesía política y combativa argentina,
AAVV, Zero Zyx

e ainda dizem que somos concorrentes

Ontem, o polifónico Ricardo cá apareceu a correr
só para oferecer um chocolate.

Obrigadinha, ó chefe.

a propósito de senhores

O que foi passado a limpo,
Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim

da sub-secção a penguin a day keeps the spleen miles away

Islamic mystical poetry -
Sufi verse from the early mystics to Rumi,
AAVV, Penguin

e uma pessoa, claro, sorri com estas coisas ou Marco Aurélio anda a perseguir a Poesia Incompleta


X
Dá-lhe as boas vindas ao Facebook.

pronto, mistura o que quiseres

121 poemas escolhidos,
Emanuel Félix, Salamandra

Alexandre Lucas Coelho, Tinta da China

A mosca iluminada,
Natália Correia, Quadrante

Versos,
Amália Rodrigues, Livros Cotovia

Furor e mistério,
René Char, Relógio d´Água

Coisas,
AAVV, & etc

Sublunar,
Carlito Azevedo, 7 Letras

Obra poética,
Manuel Alegre, Dom Quixote

Jorge de Sena e Camões - Trinta anos de amor e melancolia,
Vítor Aguiar e Silva

O discurso opcional obrigatório,
Mariano Peyrou, Averno

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Espalhem a notícia, Sérgio Godinho

um poema

HÁ UMA GRANDE NECESSIDADE DE VIDA

Há uma grande necessidade de vida
Parem os semáforos todos no lilás
E as lojas e as grandes cadeias e os pequenos mercados
E as grandes aldeias e as pequenas cidades
Há nestes tempos um consumo enorme de azul no céu
Há uma imensa necessidade de vida
Por exemplo nos teus olhos raticidas
Para podermos viver precisamos de vida

Há uma exacta necessidade de quê
Vida é pronto o gato o cão o espalha-fatos
O sempre intenso por mágica mão dispensável polícia
Tudo isso mas não é isso nem o constante o sempre
[ presente o plastificado bolso onde guardo os tormentos
O inexistente segurança que me abre as cancelas
O plenipotenciário bêbado nas portarias
O chanceler de nenhures
É preciso não esquecer que
Há um consumo enorme de ar na terra
Insustentável
Há um consumo enorme de mar nos gestos
Insustentável
Dêem-nos o susto o suco o cheiro o pasmo
Os sucos os olhos vidrados os braços e os lumbagos
E com isso nos bastaremos
Isso é que queremos
Isso é que precisamos
Ainda e sempre os mesmos rostos
Os dentes que não estão onde também falta
Perdoem-me a vulgar palavra o pão
E onde sobram sempre as mesmas lágrimas
E sempre as mesmas palavras antigas
Clamando justiça num deserto a que chamaram paz

Manuel Resende
in O mundo clamoroso, ainda, Angelus Novus

uma novidade não pode durar duas semanas

Em torno do desejo de prisão,
Elizabeth Bishop, Letra Livre

no repeat

Próxima Estación: Esperanza, Manu Chao

27 janeiro, 2010

não compres, não troques, não ofereças, não peças, não roubes

Assina

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Bem fez João Rodrigues
- zuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum -
rapidamente e em força pró outro mundo
ou Manuel de Castro que tratou da viagem com maior vagar,
mas igual precisão.

(...)

da sub-secção poetas que comoveram os companheiros de Nuno Salvação Barreto


Selected poems - 1972-1997,
Michael Schmidt, Smith / Doorstop Books

parece mentira

mas José Carlos Barros, Rui Miguel Ribeiro, Ana M. P. Antunes, Paulo Teixeira, Ana Salomé, Luís Pedroso, Bénédicte Houart, Diogo Vaz Pinto, Maria Sousa, Rui Pires Cabral, Pedro Braga Falcão, David Teles Pereira, João Miguel Fernandes Jorge, Beatriz Hierro Lopes, Fernando Esteves Pinto, Renata Correia Botelho, Luís Filipe Parrado, Manuel de Freitas, Déborah Vukušic, Miguel Martins, Rui Caeiro, Rosa Maria Martelo e Nuno Brito (impecavelmente trajado, com barrete e tudo) saíram daqui todos juntos pela mão de um senhor.

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

sanfona em poesia

o pai, o filho e o espírito santo

O mergulhador,
Pedro e Vinicius de Moraes, Argumento

da sub-secção a penguin a day keeps the spleen miles away

Selected poems,
Yevgeny Yevtushenko, Penguin

um poema

ENGENHOS DA NOITE

1

A noite reconstrói
a vida já segada
o cepo onde rompeu
a pele do pescoço
à infância transida
o surto mais febril
vai entoando loas
na esperança
d'açaimar
genéticos desgarros
percutem botões
na árvore da vida
as lobas nos fojos
mutilam nas presas
correntes do sonho
suportam muralhas
e a memória insiste
em devorar miúdos.

2

Sôfrega vindima
a crispação da mente
recolhe podres cachos
nos cestos enrijecem
soníferas gavinhas
o sono imperial
triunfa da vigília
ao descansar lembranças
a escama da sutura
expande pus
a inquinada linfa
onde a memória assusta.

Fátima Maldonado
in Vida extenuada, & etc,

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Mal bicho, Los fabulosos cadillacs

uma novidade não pode durar duas semanas

Cerco voluntário,
Vasco Gato, Cadernos do Campo Alegre

profundissimamente hipocondríaco*

Despoesia,
Augusto de Campos, Perspectiva

* é um verso de Augusto dos Anjos

apareceu esgotado


Exercícios de estilo,
Luiz Pacheco, Estampa

da sub-secção um dos rostos da oposição leonina

Italian shoes,
Fernando Guerreiro, Edições Vendaval

no repeat

Devotional songs, Nusrat Fateh Ali Khan

26 janeiro, 2010

a propósito de senhores

Anos 70 - Poemas dispersos,
Alexandre O´Neill, Assírio & Alvim

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

alta mesa vinho regionalextremadura

pronto, mistura o que quiseres


Teoria dos conjuntos,
Jorge Reis-Sá, Casa dos ceifeiros

Nós dois ainda,
Henri Michaux, Bonecos Rebeldes

Obra poética,
Cabral do Nascimento, Asa

Ruy Cinatti,
Joaquim Manuel Magalhães, Editorial Presença

Poemas portugueses -
Antologia da poesia portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI,
AAVV, Porto Editora

Dicionário do diabo,
Ambrose Bierce, Tinta da China

Paraíso perdido,
John Milton, Livros Cotovia

Lábios de cinza,
António Ferreira, & etc

De Fevereiro a Fevereiro,
Gil de Carvalho, Centelha

Luz indecisa,
José Mário Silva, Oceanos