30 dezembro, 2009

até amanhã



juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:


chegou pela mão do autor

Um beijo no meio da crise,
Nuno Milagre, Edição do autor

no penúltimo dia ano

Miguel Martins,
(durante um aquecimento no polidesportivo do P.E.N. Clube),
salta por cima de Diogo Vaz Pinto.

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Que saudades de haver mários
– Cesariny, Henrique Leiria, Viegas –, amigo Mário.
Sempre era um arzinho fresco, o que nos traziam.

(...)

um poema

SONHO AMERICANO

O meu bisavô queria apenas passar por Portugal
e depois atravessar o Atlântico
Mas teve que se contentar com chamar América à primeira filha.

David Teles Pereira
in
Criatura nº4, Núcleo Autónomo Calíope

no repeat


Night And Day - The Cole Porter Songbook, Vários

29 dezembro, 2009

até amanhã

Sigit Pamungkas

dois poemas

Maria de Lourdes Carrapito provou
- com a perspicácia e a frescura de estilo
que a caracterizam -
que Fernando Pessoa não se preocupava
excessivamente
com os buracos que pudesse ter nas meias
(c.f. M.L. Carrapito, O Monge e o Hábito - Microleituras
de Pessoa, Lisboa, Sapataria Camões)

***

Leonardo Coimbra, na opinião
de vários estudiosos,
acharia a pastilha elástica
um "autêntico disparate".

Anónimo
in Bardamerda, & etc

uma pessoa recebe livros e livros e livros

e depois fica a olhar para eles
sem vontade nenhuma de lhes digitalizar as capas

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Dança da solidão, Marisa Monte e Paulinho da Viola

no repeat

Tangata del alba, Astor Piazzolla

23 dezembro, 2009

nem o malogrado Santana diria coisas tão divertidas

Como organizar Portugal,
Fernando Pessoa, Editorial Nova Ática

um êxito natalício

Poemas de...,
Mao Tse-Tung, Futura

só o Natal dos Hospitais tem paralelo com tamanho acontecimento

para lá do baião, do maxixe, do jongo e do maracatu

- Você gosta de mim?, perguntou, agachando-se, até que seus olhos ficassem na altura dos de seu interlocutor. O cão a fitou com o mesmo olhar límpido de sempre. Ela sorriu, talvez de si mesma. Fazia vários dias que os lábios não executavam esse movimento. Fazia tempo que ela não tinha vontade de contrair nenhum músculo em sinal de alegria por estar viva. Ela era injusta. Era uma perfeita estranha até para si mesma. Precisava tanto dos outros que fugia deles. Ela simplesmente não saberia como. Como reclamar para si o direito a uma amizade, por exemplo. Como dizer para a colega da classe do inglês que fossem tomar um café. Os outros eram perfeitos estranhos. E ela não saberia, nunca. Por isso perguntava ao cão. Esse cão que a suportava todos os dias, todos os momentos, e cuja companhia, para ser sincera, ela preferia à de qualquer outro ser humano, na falta de lobos. Ela não precisava fazer nada. Ele não precisava também. Eles se seguiam pela casa. Só isso. Ela falava com ele, quando a vontade de comunicação, de articular algum som, parecia estar prestes a irromper de sua garganta como um vômito, do qual alguém tem pressa em se livrar, mas para o qual não se quer olhar mais, uma vez expelido. E ficava intimamente grata que ele não pudesse responder.
Quando a solidão e o estranhamento a abalavam a ponto de sentir náusea, era a ele a quem se agarrava e a quem abraçava com uma fúria tal que imaginava ter lhe quebrado os ossos pequenos e frágeis. Era assim que ela fazia. Só para se lembrar de quem era. (Ela sonhava com uma matilha. Com lobos nos quais se pudesse fiar apenas pelo cheiro.)

juro pela minha saúde

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profundissimamente hipocondríaco*

O mar de permeio,
Marly de Oliveira, Editora Nova Fronteira

* é um verso de Augusto dos Anjos

no repeat


Promenade With Duke, Michel Petrucciani

21 dezembro, 2009

até amanhã


Paulo Pimenta

uma trinca de bifes

Selected poems - 1972-1997,
Michael Schmidt, Smith / Doorstop Books

Living on the difference,
Mike Barlow, Smith / Doorstop Books

The escape artist,
Padraig Rooney, Smith / Doorstop Books

profundissimamente hipocondríaco*

Não poemas,
Augusto de Campos, Perspectiva

* é um verso de Augusto dos Anjos

o melhor amigo de Blake (é o amigo Luís que o diz)


Canções de Inocência e de Experiência,
William Blake, Assírio & Alvim
(tradução de Jorge Vaz de Carvalho)

o livreirito dá o dito por não dito e rende-se a Ricardo Ribeiro



Um excerto de Fados, de Carlos Saura

da passarada persa como metáfora

The conference of the birds,
Farid Ud-Din Attar, Penguin

juro pela minha saúde

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poesias de lindos lugares

no repeat


Um som, Arnaldo Antunes

19 dezembro, 2009

bom domingo

Nelson Garrido

profundissimamente hipocondríaco*

Antologia poética,
Marly de Oliveira, Editora Nova Fronteira


* é um verso de Augusto dos Anjos

e uma pessoa, claro, sorri com estas coisas

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Camões strikes again

Na ribeira do Eufrates assentado,
discorrendo me achei pela memória
aquele breve bem, aquela glória,
que em ti, doce Sião, tinha passado.

Da causa de meus males perguntado
me foi: "Como não cantas a história
de teu passado bem e da vitória,
que sempre de teu mal hás alcançado?

Não sabes que a quem canta se lhe esquece
mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte."

Respondo com suspiros: "Quando crece
a muita saüdade, o piedoso
remédio é não cantar senão a morte."

Luís de Camões,
in Lírica completa - II, Imprensa Nacional

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Dizia eu, ou se não dizia passo a dizer, que adquiri por vós em pouco tempo o maior apreço, e ó, coisa estranha, uma grande facilidade estomacal em comunicar convosco de bicho para bicho, sem que isso levante problemas líricos, merdosos ou escaravelhais.

(...)

um poema

O VENDEDOR DE ROSAS

Solitário e furtivo, o homem do ramo
anda por locais nocturnos à procura de casais.
Encontrei-o nas ruas ao pé da Rambla
com umas rosas sem cheiro a rosas
numa noite que não tem cheiro a noite.
E perdi-me pelas traseiras da vida.
Uma mulher na sombra que não és tu
roubou-te os olhos e chora. A cidade
é uma exacta e monstruosa cópia.
Como se o Cúpido já estivesse velho,
passa cuspindo o vendedor de rosas.
Enquanto se afasta penso: ao teu amor
não lhe perdoes nada. Nem o seu final.

Joan Margarit
(traduzido por Rita custódio e Alex Terradellas)

in Casa da misericórdia, Ovni

no repeat

Candombes y milongas, Alberto Castillo

18 dezembro, 2009

até amanhã

Manuel Roberto

um, dois, três volumes de nível fifa

Lírica completa I,
Luís de Camões, Imprensa Nacional

Lírica completa II,
Luís de Camões, Imprensa Nacional

Lírica completa III,
Luís de Camões, Imprensa Nacional

o Ted é que a levava certa

A amiga que escreveu isto
mandou este postal.

cá esteve Graça Martins (com seu fiel escudeiro)

a deixar o último número da Brilho no Escuro.

(no bar do Miguel)


Por volta da meia-noite e meia, haverá um recital de guitarra portuguesa por Paulo Jorge, instrumentista cuja categoria fica atestada por ter sido escolhido para acompanhar cantores tão diversos como Dulce Pontes, Mariza, Luz Casal ou Andrea Bocelli.

BAR NA CAVE
R. Imprensa Nacional, 116b
(na cave do restaurante Bs)

um poema

MEMÓRIA DE RUY BELO

Madrid está deserta do teu corpo, só os fantasmas
do desejo se digladiam ainda ao sol das praças.
Era tão curta a distância entre a eternidade
e a luz nas esplanadas dos cafés, na pedra dos edifícios?
O amor, ave desencontrada das estações, acena ainda
nos olhos das raparigas de braços nus. E tu,
morto mais discreto da pátria, adormeceste
sem ter beijado a mulher e os filhos, longe
para sempre das romarias e do mar.

João Camilo
in A mais nobre das artes, Editorial Caminho,

um catalão do camandro



Joan Margarit
(agora em português,
editado pela Ovni)

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Há livrarias de centro comercial a empilhar
o Caim de Saramago em forma de cruz

(...)

da sub-secção não ofereças, compra para ti

De ombro na ombreira,
Alexandre O´Neill, Dom Quixote

apareceram os anjinhos do senhor Carlos Mota

Anjos,
Carlos Mota de Oliveira, Oiro do dia

no repeat

Público, Adriana Calcanhotto

17 dezembro, 2009

até amanhã

Miguel Manso

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Lembro-me que me aproximei do balcão, pedi para pagar umas cervejas, tu resmungaste e disseste que só se pagava no fim. Pensei: tem feitio de tenor lírico e insisti em pagar naquele momento e assim foi.

(...)

da sub-secção poemas que comoveram os companheiros de Nuno Salvação Barreto

A alegria de gostar,
Jairo Aníbal Niño, Boca

vossa senhora me valha

Anda práqui um livreirito aos papéis por não se lembrar quem terão sido as delicadas alminhas que terão encomendado o The conference of the birds e os poemas de Li Po e Tu Fu...

da sub-secção ainda há raparigas que citam desconhecidos a propósito de rapazes que não são totalmente desprovidos de graça, digamos, animal

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nua hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar ua hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Soneto atribuído a Luís de Camões

ainda ontem se disse aqui bem deste cavalheiro

O dogma da trindade poética* (Rimbaud) e outros ensaios,
Jorge de Sena, Edições Asa




* Não confundir a Trindade Poética com a Poética da Trindade

para os que preferem não gastar dinheiro à toa (e se sentem aptos a usar a vanguarda das traquitanas ou as traquitanas da vanguarda)

A livraria tem uma conta no Skype. Entre várias e extravagantes hipóteses, optou-se, quiçá, pela mais rebuscada: poesia.incompleta, assim, só, mais nada. Para quem quiser encomendar livros ou falar daquele obscuríssimo poema da Dra. Ofélia Bomba, fica a nota.

a propósito de senhores



Lewis Black

da sub-secção um dos rostos da oposição leonina

Estórias domésticas,
Henrique Manuel Bento Fialho, Ovni

um poema

FIM DO FIM

Fim de um ciclo.
Ainda ontem
passeavas na Cedofeita, ao pé
do futuro e da turbulência.
Hoje falas com se, ao telefone,
fosse outra vez a mesma voz
e a ausência se resolvesse
com o breve, nervoso gargalhar,
o disfarce da respiração suspensa,
o rubor de seres outra pessoa.
A memória é uma bela plasticina!

Manuel Fernando Gonçalves
in Fechamos a alma, ao fim da tarde, com estrondo e animação, & etc

da sub-secção não ofereças, compra para ti

Para acabar de vez com o juízo de deus
seguido de O teatro da crueldade,
Antonin Artaud, & etc

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Tanco del Murazzo, Vinicio Capossela

uma novidade não pode durar duas semanas

A undécima praga,
António Vieira, & etc

netos de José Martí

Poesia cubana contemporânea - Dez poetas,
AAVV, Antígona

(tradução Jorge Melícias)

na livraria que recebe contas do telefone, se enerva com quem sugere a wook, gosta de jazz e editou um livro

no repeat

Samba de roda, Dona Edith Do Prato

16 dezembro, 2009

até amanhã


Paulo Ricca

voltou sem estrondo mas com pinta

Escolhido pelas estrelas,
Zbigniew Herbert, Assírio & Alvim

da sub-secção um dos rostos da oposição leonina

Alexandra Lucas Coelho, Tinta da China

um poema

Aqui na Praia da Torre perto do lugar onde
mataram Gomes Freire de Andrade
aqui onde o Tejo por fim se rende e
se faz mar curvado sobre a areia
apanhando conchinhas e distraído
saboreando palavras lavadas e re
lavadas pela água das marés tais como
praia luz água nitidez búzio manhã
Deus ou Sophia de Mello Breyner Andresen

Rui Caeiro
in Olhar o Nada, Ver a Deus, Averno

enquanto se ouve Couperin

Carlos Mota de Oliveira passa pelas brasas.

a propósito de senhores

(português e castelhano)

Antología poética,
Jorge de Sena, Calambur

(traduções de José Ángel Cilleruelo,
José Luis Puerto, José Luis García Martín)

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Tu Vuo' Fa' L'Americano, Renato Carosone

no repeat


María de Buenos Aires, Astor Piazzolla

15 dezembro, 2009

até amanhã


Enric Vives-Rubio

da sub-secção gostava de vos ver aqui

Arado,
A.M. Pires Cabral, Livros Cotovia

falta uma hora



Planeta Tangerina - Desde 1755 a fazer livros do camandro

da sub-secção não aparece todos os dias

Para o Mário Botas,
Raul de Carvalho, Mário Cesariny, Manuel Cintra, Luis Manuel Gaspar

um poema

All Stripped Down

Cavalheiro idoso, calvo e sem jeito
para foder procura quem o ature
e acredite (às vezes) na ressurreição.

Nunca leu livros, cospe grosso
e ronca. Assunto sério: morrer com alguém.

Manuel de Freitas
in O Coração de Sábado à Noite, Assírio & Alvim

uma cançãozita para ouvir ao almoço



Guarda che luna, Fred Buscaglione

voltou

Em parte incerta -
Estudos de poesia portuguesa moderna e contemporânea,
Rosa Maria Martelo, Campo das Letras

sortes

Manuel Cintra esteve aqui
e depois de muita conversa,
antes de dizer até breve,
leu um poema.

no repeat

Paseo de los castaños, Tomatito

14 dezembro, 2009

até amanhã

Nelson Garrido

um poema

Conquistas de macaco

O tio macaco conquista o seu título por relação com o macaco sobrinho. Tal como o macaco sobrinho conquista o seu por razões tiozísticas.
Não quer isto dizer que não se possa chegar a um estado de sobrinhismo por acção tiozística.
Feita uma observação genital e verificada a inexistência de aparato feminino, o macaco tio alegremente confirma o seu tiozismo.
O macaco tio e o macaco sobrinho regozijam-se com o seu macaquismo e com tantas outras coisas que logicamente se seguem ao resultado desta revelação...

Russell Edson
(tradução de Guilherme Mendonça)
in O espelho atormentado, Ovni

é amanhã



Planeta Tangerina - Um cantinho sem CO2

juro pela minha saúde

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esteve cá sexta-feira e voltou no sábado

Alçapão,
Manuel Cintra, & etc

(a mão gráfica do preclaríssimo Eng. Pedro Serpa
e a capa do Ex.mo Sr. Dr. Luis Manuel Gaspar
não são de desprezar)

agora a sério

um êxito natalício

Poemas do avante,
Mário Castrim, Edições Avante