31 julho, 2009

afinal, amanhã o livreirito ainda aparece

Em Agosto,
como livreiros estreantes, cá estarão:

Miguel Martins, Mariana Abrunheiro e Diogo Vaz Pinto.

(Vai ser bonito, dizem as vozes)

Aos três, antecipadamente, o livreirito agradece.

A gerência sabe que os supra citados
cumprirão com inquebrantável garbo e rara elegância
a patriótica missão para que foram convocados.

O nome de Portugal, uma vez mais, sairá dignificado.

o que me tem feito falta à carreira, tenho-o dito repetidamente, foi duas tranças mágicas



Juanita banana, Henri Salvador

um poema

Little Horse

For F. M.

Mignon he was or mignonette
avec les yeux plus grands que lui
.
My name for him was Little Horse
I fear he had no name for me.

I came upon him more by plan
than accidents appear to be.
Something started or something stopped
and there I was and there was he.

And then it rained but Little Horse
had brought along his parapluie.
Petit cheval it kept quite dry
till he divided it with me.

For it was late and I was lost
when Little Horse enquired of me,
What has a bark but cannot bite?
And I was right. It was a tree.

Mignon he is or mignonette
avec les yeux plus grands que lui.
My name for him is Little Horse
I wish he had a name for me.

Tennessee Williams
in The collected poems, New Directions



(Obrigado ao Ricardo
que trouxe e mostrou livros deste senhor)

mais uma visita de Vítor Silva Tavares, com direito a palestra e mercadoria literária


Le vitrail la nuit * A árvore cortada, Adília Lopes, & etc

a meio da tarde, uma cançãozita (cortesia do senhor Ernesto Lecuona)



Siboney, Rubén González (acompanhado por outros monstros cubanos)

começa amanhã (aviso soleníssimo)

Em Agosto, cá estarão várias pessoas para, digamos, aviar a clientela. Como a canícula aperta e os atendentes não são doentes mentais, o horário da Poesia Incompleta será reduzido. Desta sorte, a livraria continuará a abrir de segunda a sábado, entre as 14h e as 20h. Haverá morenos arábigos, cantoras de nariz arrebitado, jovens níveos, e tudo o mais que se espera encontrar numa livraria de poesia.

também me acontece com pombos


CADÁVERES DE CONEJOS APLASTADOS POR UNA COSECHADORA

No mirar. No mirar. No mirar. No mirar. No mirar. No mirar.

Lo miro.

Ana Tapia
in El polizón desnudo, El Gaviero

uma senhora e uma bambina, à hora do almoço, conversam entretidas


Norte y sur, Elizabeth Bishop, Igitur

Tara, Elena Medel, Dvd

um poema

POEMA EM LINHA RECTA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos
in Poesias de Álvaro de Campos, Ática

no repeat


Orphans: Brawlers, Bawlers & Bastards, Tom Waits

30 julho, 2009

o que me tem feito falta à carreira, tenho-o dito repetidamente, foi uma bateria e um certo jeito para os pinotes



Fred Astaire

mais quatro da El Gaviero

Infierno sostenido, Óscar Santos Payán, El Gaviero

El polizón desnudo, Ana Tapia, El Gaviero

Libro de los gatos sensatos de la vieja zarigüeya,
T.S. Eliot, El Gaviero

Yo quisiera ser un perro - poesía completa 1991 -2007,
Javier Corcobado, El Gaviero

a conclusão provisória do José Mário sobre aqueles aparelhómetros para ler textos




Nos kinder ainda não se pode ler isto:

Luz Indecisa, José Mário Silva, Oceanos

um poema

A alma humana é porca como um ânus
E a Vantagem dos caralhos pesa em muitas imaginações.

Meu coração desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola Redonda foi vendida a peso,
E a biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil distante.

Está frio.
Ponho sobre os ombros o capote que me lembra um xaile —
O xaile que minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os ombros da minha infância sumiram-se antes para dentro dos meus ombros.
E o meu coração da infância sumiu-se antes para dentro do meu coração.

Sim, está frio...
Está frio em tudo que sou, está frio...
Minhas próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que elas.

Engelho o capote à minha volta...
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada
Sim, aquilo a que chamam a vida, como se só houvesse outros e estrelas...
Sim, a vida...
Meus ombros descaem tanto que o capote resvala...
Querem comentário melhor? Puxo-me para cima o capote.

Ah, parte a cara à vida!
Levanta-te com estrondo no sossego de ti!

Álvaro de Campos
in Livro de Versos, Editorial Estampa

outra coisa que não anda aparece todos os dias


Depois de A Phala online, chega o quarto e último número de A Phala Encadernada, numa tiragem de apenas 60 exemplares. Este volume reúne os números 61 a 100 e todos os respectivos suplementos.

Está na Livraria da Assírio & Alvim
e na Poesia Incompleta.

reentraram sem estrondo e com elegância

Livre arbítrio, Tiago Araújo, Averno
Em nenhum paraíso, Diego Doncel, Averno
A névoa, José Mateos, Averno
Restos de quase nada e outras poesias,
António Manuel Couto Viana, Averno

foi o próprio que disse


Amanhã, mestre Rui Caeiro fará uma visita extraordinária
a esta humilde livraria.

Esperemos que venha de calções.

um motor de busca curioso

por enquanto, um exclusivo nacional cá da casa

Os livros da El Gaviero chegaram


Fragmentos de cal, Juan Manuel Barrado, El Gaviero

só há dois


exemplares assinados e numerados pelo antologiador



A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX,
AAVV, Manuel de Freitas (selecção), Assírio & Alvim

(Dizem-me de lá que destes
só há aqui e na livraria da Assírio)

a edição espanhola, benza-a deus, é uma categoria


Poesías, Safo, DVD

Informe desde la ciudad sitiada y otros poemas, Zbigniew Herbert, Hiperión

El mapa de América, Pablo García Casado, DVD

Melos melancolía, Carlos Edmundo de Ory, Igitur

Fundido en negro, Jesús Jiménez Domínguez, DVD

o que me tem feito falta à carreira, tenho-o dito repetidamente, foi saber rir quando me sento ao piano



El manisero, Bola de Nieve

um poema

de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta amor de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
mais.

E.M. de Melo e Castro
in Antologia efémera, Lacerda Editores

O que eu queria era comprar a Lumen e oferecer-lha em Dezembro

Las personas del verbo, Jaime de Gil Biedma

La belleza del marido..., Anne Carson

Ausencia presente, Stephen Spender

Briggflatts y otros poemas, Basil Bunting

71 poemas, Emily Dickinson

Cruz y delicia Extrañezas, Sandro Penna

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

poesia como ser padre

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

Nada me chateou, em suma, a discussão amena sobre a senhora de Belgais. Antes dela, muito antes, 17000 políticos portugueses deveriam ser queimados em efígie e preencher a vaga deixada pelo gentil Zé Manel calceteiro.

(...)

no repeat


Tudo azul, Velha Guarda da Portela

29 julho, 2009

belo fim de tarde


Por cá passaram amáveis clientes.

Para o fim, graças a deus,
aparecerem poetas de finíssima estirpe,
que em nenhum momemento usaram
palavras como níveo ou gladíolo.

três que não se podiam ver

Poemas, Florbela Espanca, Martins Fontes

Os simples, Guerra Junqueiro, Europa-América

A voz fagueira de Oan Tímor, Fernando Sylvan, Colibri

O que eu queria era comprar a Hiperión e oferecer-lha em Dezembro


Poema del camino espiritual, Ibn al-Farid

Obra poética completa, Samuel Beckett

El cálamo del poeta, Abu Tammam ibn Rabah de Catalatrava

Buffalo Bill ha muerto, E.E. Cummings

Menos rosas, Mahmud Darwish

Poemas del fuego y otras casidas, Ibn Sara As-Santarini

Antologia poética, Moseh Ibn ´Ezra

um poema

Círculo de poesia

É um tapete
é um olho
é o Sol
é um caracol
é um espelho
é uma espiral
é um alvo
é um ovo
é uma maminha
é uma aranha

Adília Lopes
in Caderno, & etc

enquanto dança salsa


o impagável José Manuel declara a sua indignação:

Já vistes, agora os pretos querem todos ser filhos do Michael Jackson?
Da-se...., eu queria lá ter um pai racista.
Os barrotes queimados são lixados.

Muda de assunto:

Viste a Maya toda nua?
Eu queria papá-la mas ela é só operações.

Olha aí como é que ela entrou para a SIC.

(Mostra uma revista com conselhos astrológicos
e de pouco serve o livreirito dizer:

Cheira-me que a Maya é um nadinha vigarista)

Não é nada. Lê lá isto tudo e vais ver se não está certo.
Dá até para o ano.

Volta a questão das raças:

E os pretos?
Um passe dá para quatro irmãos.
Eles é que são espertos

Penso no Bartleby
e acho que não é com este filósofo
que devo usar a frase do shô Melville.

acabam de entrar


Rodin en verso, Aleister Crowley, Igitur

Campo abierto - Antología del poema en prosa en España 1990-2005,
AAVV, DVD

Poesías, Amelia Rosselli, Igitur

se foi o Bráulio que disse


Antes o Machado de Assis do que uma mega-party na Quinta da Marinha.

*

Antes a barba mal feita do que as patilhas aparadas.

*

Antes um passarinho no prato do que um coelho da cartola.

*

Antes um arrumador drógado, daqueles que já há poucos,
a dizer-me "destroce, destroce" do que o José Fanha
a declamar poemas intenssíssimos que já cheiravam a mofo em 1914.

*

Antes o T. S. Eliot aos saltinhos do que o Dan Brown com taxa fixa.


Bráulio Cimento Alverca é o autor destas frases
mas a responsabilidade da publicação é do livreirito
.

da sub-secção valsas à hora do almoço ou de como Jacques podia ter sido um derviche rodopiante



Une valse a mille temps, Jacques Brel

não faças misturas

Ardem as perdas, Antonio Gamoneda, Quasi

Imagens, Ana Luísa Amaral, Campo das Letras

Sonetos completos, Antero de Quental, Europa-América

Obras completas - 1923-49, Jorge Luis Borges, Editorial Teorema

Limite de idade, Vitorino Nemésio, Estúdios Cor

A cabeça calva de deus..., Corsino Fortes, Dom Quixote

A formiga argentina, João Almeida, Averno

Poésies choisies, Victor Hugo, Librairie Hachette

Lavoura arcaica, Raduan Nassar, Relógio d´Água

Sempre disse tais coisas esperançado na vulcanologia,
AAVV, Imprensa Naciona

um poema

Legenda

Hoje, quero da vida
Que ela seja tranquila;
Que seja uma dor e doa,
Mas uma dor boa:
Sem o sal que na ferida
A torna mais dorida

Emanuel Félix
in 121 poemas escolhidos, Salamandra

juro pela minha saúde

Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

no repeat

Mulungu do Cerrado, Uakti

28 julho, 2009

não faças misturas

Malva 62, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Quasi

Os poemas possíveis, José Saramago, Caminho

Crisantempo..., Haroldo de Campos, Perspectiva

Poesia vertical, Roberto Juarroz, Campo das Letras

20 poemas a Anton Webern seguido de Aventuras, Zé Luís Costa, & etc

Lamento, Luís Quintais, Livros Cotovia

Auto-retrato num espelho convexo ..., John Ashberry, Relógio d´Água

O livro da pobreza e da morte, Rainer Maria Rilke, Bonecos Rebeldes

Ao longe os barcos de flores... (2 cds), AAVV, Assírio & Alvim