30 junho, 2009

professores



Volte para o seu lar, Arnaldo Antunes

um trio de Leão

Antología personal, León Filipe, Visor

O sapateiro de Van Gogh, León Filipe, & etc
(tradução de Rui Caeiro)

El gran responsable, León Filipe, Visor

docinhos para a cabeceira

Os Cantos, Ezra Pound, Assírio & Alvim
(tradução de José Lino Grünewald)

está tapado por faltas


Europa e mais três poemas, Rui Miguel Ribeiro, Letra Livre

bem perto da notícia


Niquinha convidado para
a estrutura da Poesia incompleta


(O médio está em final de contrato e deverá ser convidado a ficar na Cecílio de Sousa, mas fora das lides cibernéticas. Quanto a reforços, deverá chegar do Brasil mais um elemento para os arrumos.

Neste momento, ainda carece de definição o cargo que será oferecido a Niquinha, dúvida que também se coloca quanto ao seu papel na frente de loja ou no armazém.)

o Manuel trouxe mais para oferecer

Tempo de cinzas, Manuel Filipe, Apenas

à conta, digamos, de uma viatura

O amante japonês, Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim

não faças misturas

Glória e eternidade, João Almeida, Teatro de Vila Real

Dicionário do Diabo, Ambrose Bierce, Tinta da China

Os aromas essenciais, Guita Jr., Caminho

Reflexões sobre o Sr. Pessoa, John Wain, Livros Cotovia

Poesias, Carlos de Oliveira, Portugália

Logros consentidos, Inês Lourenço, & etc

Estrofes, José Blanc de Portugal, Black Sun Editores

Obra poética, Yves Bonnefoy, Iluminuras

O leitor escreve para que seja possível, Manuel Gusmão, Assírio & Alvim
(com um texto de Eduardo Prado Coelho e fotografias de Duarte Belo)

A parte pelo todo, João Luís Barreto Guimarães, Quasi

um poema

Se tudo acontecer como previsto

Se tudo acontecer como previsto,
o Senhor Gouveia acordará
um pouco antes do almoço, mesmo a tempo
de descer as escadas e esperar pelo carteiro.
Se acaso receber correspondência,
há-de tirar o chapéu a uma senhora.
Se não lhe chegar nenhuma carta,
fará exactamente a mesma coisa.
Na vida como na escrita, o Senhor Gouveia
utiliza sempre a mesma rima. Os seus gestos
são alexandrinos medidos ao milímetro,
coisas dificilmente publicáveis
já em meados da década de cinquenta,
quando pela primeira vez tirou o chapéu
a uma senhora

(e nunca mais lho devolveu).

Vítor Nogueira
in Senhor Gouveia, Averno

juro pela minha saúde


Alguém chegou a este blogue
depois de procurar no google:

poesia de boa tarde

no repeat


A Love Supreme, John Coltrane

29 junho, 2009

professores



Diavolo Rosso, Paolo Conte

em primeira mão


Um estranho em Goa,
José Eduardo Agualusa, Boca

Três cds, 3, na voz do grande Fernando Alves
com banda sonora de Amélia Muge e António J. Martins
(mãozinha gráfica certeira de Pedro Serpa)

um poema

Oh, como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se-me um remédio que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
Da vista se me perde, e da esperança.

Luís de Camões
in Sonetos de Luís de Camões, Assírio & Alvim

que a brisa do Brasil beija e balança*

À margem da margem, Augusto de Campos, Companhia das Letras

* É um verso de Castro Alves

ela disse:

O escritor está a fazer o que ainda não foi feito. O leitor pode pousar o livro, a frase não foge; o escritor odeia o acto de pousar, porque pousar é não fazer, e não fazer o que ainda não foi feito é um erro. Não fazer é o maior pecado.

Gonçalo M. Tavares
in Breves notas sobre as ligações (Llansol, Molder, Zambrano),
Relógio d´Água

acaba de entrar

Textos e canções, José Afonso, Relógio d´Água

um poema inédito (com um abraço para o autor)

Sento-me à mesa e coloco tudo
em meu redor meteoros, sóis, luas,
planetas, paisagens vulcânicas,
afirmações, dúvidas, amor, ódio, vida, morte,
-a morte dos meus mortos
expulsa-me para fora da terra
a alegria, a força obsessiva da solidão,
as vozes dos outros, - ramificações obscuras,
tudo faz parte.

Depois começam a surgir palavras
e o ritmo inicia o pulsar do poema,
tudo gravita em meu redor desenvolvo
a massa poemática
efabulo, reinvento, metaforizo.
Por vezes surgem corredores, abismos,
escadas, casas abertas e fechadas á noite, espelhos,
entro saio vagueio
um movimento de música.
Aparecem massas volumosas de água molhada, pesada,
estancadas na casa,
há planos interligados em patamares de metáfora,
parábola, alegoria.

Depois digo: - a folha branca de encontro
á madeira transfigurada da árvore - a mesa,
( um suporte no labor de oficina).
As mãos metidas pela água dentro
a recordar a infância toda as origens. Tudo.

Na infância corria pelos campos,
inebriava-me o perfume húmido das rosas,
tocava a corola das flores e os dedos
ardiam de felicidade.

Manuel Nunes

não faças misturas


Ossos de borboleta, Régis Bonvicino, Editora 34

Trabalhar cansa, Cesare Pavese, Livros Cotovia

O manual das mãos, Eduardo White, Campo das Letras

121 poemas escolhidos, Emanuel Félix, Salamandra

Olho nu, Dado Amaral, Mundo das idéias

A caixa negra, Josep M. Rodríguez, Averno

Antologia poética, Octavio Paz, Dom Quixote

Odes brasileiras, Ildásio Tavares, Imago

Natureza viva, Vicente Huidobro, Hiena

Os poetas da Inconfidência, AAVV, Editora Nova Fronteira

um poema

Carta a Miguel Djéjé

Diga amigo Miguel
Como está você?
Em todo o Xipamanine
Já ninguém o vê
Vou dar-lhe a minha viola
Para tocar outra vez

O seu valor um dia
Você mostrou
Todo o mainato o ouvia
E até dançou
Miguel só você sabia
Tocar como já tocou

Vinha maningue gente
Para aprender
Moda lá da sua terra
Bonita a valer
O Jaime e o Etekinse
Amigos não volta a haver

Quando à noite se ouvia
Miguel tocar
Também havia a marimba
Para acompanhar
A noite
Na ponta Geia
Amigos hei-de recordar

O barco foi andando
E a Nanga vi
Foi a saudade aumentando
Longe daí
A gente
Na minha terra
Não canta assim
Como eu ouvi

José Afonso
in Textos e canções, Relógio d´Água

patifes, santos, amanuenses e outros desportistas


A poesia portuguesa hoje, Gastão Cruz, Relógio d´Água

professores



Jon Stewart
(Há 13 anos e parece que foi amanhã.
Iraque, Jerusalém, educação, Macarena y otras cositas)

Praça das Flores, Madrid, Paris, Berlin, São Petersburgo, o mundo

Hoje, polacos e dinamarqueses, amanhã, Braúlio,
togolitos, togoloditas, togolóides ou lá o que é.

um poker de Rui Nunes

Ouve-se sempre a distância numa voz, Rui Nunes, Relógio d´Água

Osculatriz, Rui Nunes, Relógio d´Água

O choro é um lugar incerto, Rui Nunes, Relógio d´Água

Rostos, Rui Nunes, Relógio d´Água

um poema

DE BARCO

O sol em visita
ao ventre da terra,

essa aparição
do rosto na tarde

da viagem breve
de barco no rio.

E depois o escuro
no resto do dia,

um barco vazio
para todo o sempre.

José António Almeida
in A Mãe de Todas as Histórias, Averno

juro pela minha saúde


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parece mentira





Isto, Rui, é que é poesia.

no repeat


Programa Ensaio, Adoniran Barbosa

27 junho, 2009

bom domingo



Um excerto de uma comédia do senhor Coppola

ainda cá não veio (e é pena)

Reconhecimento, Bénédicte Houart, Livros Cotovia

os galegos são nossos amigos

Antologia de poesia Galega, AAVV, Unicamp

um poema

The hireling shepherd

a veia poética secou
as luzes todas apagadas
o olhar vermelho do despertador
vou por onde não te encontras

outro dia que começa às duas
deprime o cheiro
que sai das casas históricas

ao sol do norte
tudo por exemplo ardido
recolher os dentes-de-leão na cinza
ou no incorpóreo da casa, coisas de vestir

onde vou não é comigo
nem como ganho o pão de cada dia
a constipação alastra
e por trás da caixa de registar
aguardam os comprimidos cor de rosa
para a febre e para a dor

João Almeida
in A Formiga Argentina, Averno

juro pela minha saúde


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um poema

ECCE PUER

Of the dark past
A child is born;
With joy and grief
My heart is torn.

Calm in his cradle
The living lies.
May love and mercy
Unclose his eyes!

Young life is breathed
On the glass;
The world that was not
Come to pass.

A child is sleeping:
An old man gone.
O, father forsaken,
Forgive your son!

*

ECCE PUER

Del oscuro pasado
Nace un niño;
De gozo y de pesar
Mi corazón se desgarra.

Tranquila en su cuna
La vida yace.
Que el amor y la piedad
Abran sus ojos!

Joven vida se exhala
Sobre el cristal;
El mundo que no era
Se llena de existencia.

Un niño duerme:
Un anciano ha partido.
Oh padre abandonado
Perdona a tu hijo!

James Joyce
in Poesías completas, Visor
(tradução de José Antonio Álvarez Amorós)

no repeat


Alina, Arvo Pärt

26 junho, 2009

o que me tem feito falta à carreira, tenho-o dito repetidamente, foi saber sentar-me ao piano com uma leve obstinação



Via con me, Paolo Conte

V de vitória? Não, de Visor

(em inglês e castelhano)

Poesía completa, James Joyce, Visor
(tradução de José Antonio Álvarez Amorós)


Poesías completas, Macedónio Fernández, Visor

(em português e castelhano)


Portugal: la mirada cercana, AAVV, Hiperión
(traduções de Carlos Clementson,
Jesús Munárriz e Jenaro Talens)

não faças misturas

Trocar de Rosa, AAVV, versões de Eugénio de Andrade,
Fundação Eugénio de Andrade

Glória e eternidade, João Almeida, Teatro de Vila Real

Uma faca nos dentes, António José Forte, Parceria A.M. Pereira

Senhora das Tempestades, Manuel Alegre, Dom Quixote

Mesa de Amigos, AAVV - Pedro da Silveira (org.), DRAC

juro pela minha saúde


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muito antes do Alçapão


Do lado de dentro, Manuel Cintra, Presença

ai tanta lombada junta, minha nossa senhora


a propósito de Bocage (só tinham uma fotografia do senhor)

A verdadeira paixão de Bocage,
Artur Lobo d´Avila e Fernando Mendes, O Século

Bocage - O perfil perdido,
Adelto Gonçalves, Caminho

Bocage, Êsse desconhecido...,
Gomes Monteiro, Edição Romano Tôrres