31 março, 2009
um poema
O meu amor tem oitocentas mãos
sensíveis e outras tantas não
se sentem senão no coração
grã feijão entre os pequenos grãos
da areia movediça em que me atolo
atol com tu por fora e tu por dentro
a dizeres que sais e então eu entro
descolas e eu voo no teu colo
Vêem-se aves demoradamente
estampando o céu azul de azul celeste
toca-se um círio pousa-se num cipreste
e em silêncio diz-se o que se sente
O meu amor tem oitocentas vidas
sensíveis e outras tantas sim-
plesmente canto de serafim
anjo entre os anjos das nuvens prometidas
Miguel Martins
in Atol, Clube dos poetas vivos
sensíveis e outras tantas não
se sentem senão no coração
grã feijão entre os pequenos grãos
da areia movediça em que me atolo
atol com tu por fora e tu por dentro
a dizeres que sais e então eu entro
descolas e eu voo no teu colo
Vêem-se aves demoradamente
estampando o céu azul de azul celeste
toca-se um círio pousa-se num cipreste
e em silêncio diz-se o que se sente
O meu amor tem oitocentas vidas
sensíveis e outras tantas sim-
plesmente canto de serafim
anjo entre os anjos das nuvens prometidas
Miguel Martins
in Atol, Clube dos poetas vivos
ontem, hoje e amanhã
Luís Pedroso continua a revelar factos extraordinários:
Há skins na Faculdades de Letras.
As raparigas skin também lá estão
(são as que têm penteados mais estranhos).
As raparigas skin também lá estão
(são as que têm penteados mais estranhos).
a rádio continua a ser uma hipótese maravilhosa
Grande exemplo disso é a recente entrevista
feita por Carlos Vaz Marques a João Botelho.
(procurai no sítio da TSF)
30 março, 2009
mais dois foliões
adenda ao post anterior
O mesmo pedido é válido para o disco de Valter Hugo Mãe
(e que o José Luís Peixoto não se ponha com ideias)
singelo pedido de um livreiro sem franja (mas com muitos nervos)
Não me falem no disco do Jacinto Lucas Pires.
uma das grandes diferenças entre Jornal de Notícias e o Correio da Manhã é a crónica diária do senhor Manuel António Pina
(isto foi escrito há dias
mas há-de ser válido
por muito tempo)
mas há-de ser válido
por muito tempo)
29 março, 2009
acaba assim
um livro de Jacques Prévert
(...)
D´un monde sobre et ivre
D´un monde triste et gai
Tendre et cruel
Réel et surréel
Terrifiant et marrant
Nocturne et diurne
Solite et insolite
Beau comme tout.
D´un monde sobre et ivre
D´un monde triste et gai
Tendre et cruel
Réel et surréel
Terrifiant et marrant
Nocturne et diurne
Solite et insolite
Beau comme tout.
28 março, 2009
ela não pode almoçar (e o livreirito ouve )
Miss Otis Regrets
What Is This Thing Called Love?
One For My Baby
You Make Me Feel So Young
Night And Day
Embraceable You
You Do Something To Me
Cheek To Cheek
I'm In The Mood For Love
I Can't Give You Anything But Love
I Get A Kick Out Of You
(entre as vozes de Billie Holiday e do senhor Sinatra,
o swing de Fred Astaire, e a sonolência do oleoso Bryan Ferry,
alguma coisa se rearranja)
acaba assim
um livro de Rui Manuel Amaral
(...)
A verdade é que a partir desse dia a vida no paraíso nunca mais foi a mesma. E o contrário também é verdade.
27 março, 2009
ia havendo porrada
Já cá está o número 3 da Criatura.
(Um dos editores foi abordado por uma poeta
que lhe disse gentilmente:
Lá fora vais amochar.)
acaba assim
um livro de Alberto Pimenta
(...)
Já ouvi dentro de mim
Um trovão
Fender-me a alma.
Para a unir de novo
Não sei o que terei de enfrentar.
Já ouvi dentro de mim
Um trovão
Fender-me a alma.
Para a unir de novo
Não sei o que terei de enfrentar.
26 março, 2009
a propósito de senhores
acaba assim
um livro de Marie-Françoise Prager
(...)
Le corps une statue
que meurt jusqy´à la mort
elle se dérange
continuellement
l´os se ferait plus transparent
la chair vacille
les mots sont immergés
je suis multipliée
Le corps une statue
que meurt jusqy´à la mort
elle se dérange
continuellement
l´os se ferait plus transparent
la chair vacille
les mots sont immergés
je suis multipliée
ao qu´isto chegou*
Ainda aparece alguém a dizer que
se recusa a cremar Cavacos e Sócrates.
se recusa a cremar Cavacos e Sócrates.
* Foi o título de uma peça d´A Barraca.
os árabes são nossos amigos
25 março, 2009
um poema
23. (narciso)
o estômago ganha peso e afunda-se. vejo-te dobrado sobre esse caos de pedra, órgão sensível à angústia. observo-te como a um duplo, lado a lado no mesmo auto-retrato. não comeste nada desde manhã, cruzas os climas entre o jejum e a naúsea. conforto-te sem que me ouças: uma vida longa para quem nunca se descobre. como uma maldição que se cumpre devagar.

Livre arbítrio, Tiago Araújo, Averno
dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras
(...)
depois da vida do horácio,
o casamento parece-me ser outra manifestação do génio Almeida.
o casamento parece-me ser outra manifestação do génio Almeida.
(...)
acaba assim
um livro de Gonçalo M. Tavares
(...)
Pensou então, se, daquela altura, atirando com força uma moeda à cabeça de alguém, se essa moeda seria capaz de matar. Uma moeda, atirada com força e batendo em cheio na cabeça.
Há pontos do cérebro tão sensíveis que se, a uma certa velocidade, uma moeda, por mais baixo valor que tenha, lhes acertar, a pessoa morrerá, murmurou.
Estava a pensar onde teria moedas, quando tocaram à campainha. O senhor Breton foi abrir.
Há pontos do cérebro tão sensíveis que se, a uma certa velocidade, uma moeda, por mais baixo valor que tenha, lhes acertar, a pessoa morrerá, murmurou.
Estava a pensar onde teria moedas, quando tocaram à campainha. O senhor Breton foi abrir.
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