31 março, 2009

um poema

O meu amor tem oitocentas mãos
sensíveis e outras tantas não
se sentem senão no coração
grã feijão entre os pequenos grãos

da areia movediça em que me atolo
atol com tu por fora e tu por dentro
a dizeres que sais e então eu entro
descolas e eu voo no teu colo

Vêem-se aves demoradamente
estampando o céu azul de azul celeste
toca-se um círio pousa-se num cipreste
e em silêncio diz-se o que se sente

O meu amor tem oitocentas vidas
sensíveis e outras tantas sim-
plesmente canto de serafim
anjo entre os anjos das nuvens prometidas

Miguel Martins
in Atol, Clube dos poetas vivos

gostava muito que o senhor das barbas cá viesse




O Judas teve sarampo,
Gaiteiros de Lisboa

ontem, hoje e amanhã


Luís Pedroso continua a revelar factos extraordinários:

skins na Faculdades de Letras.
As raparigas skin também lá estão
(são as que têm penteados mais estranhos).

já cá estão os comunistas


As palavras das cantigas, José Carlos Ary dos Santos, Edições Avante

ainda há (mas poucos)


Autobiographie mutuelles 2,
Alberto Pimenta e César Figueiredo,
edições supondo que...

a rádio continua a ser uma hipótese maravilhosa


Grande exemplo disso é a recente entrevista
feita por Carlos Vaz Marques a João Botelho.

(procurai no sítio da TSF)

30 março, 2009

editor com parede em fundo


Vítor Silva Tavares

também temos artigos do chinês

O vagabundo do Dharma, Han-Shan, Cavalo de Ferro

com pinta (feita à mão)


Nada serve, José Amaro Dionísio, Averno

mais três da estranja


Le poète dans la cité..., Eduardo Lourenço, Instituto Camões

Patria soberana * Nueva ficción, António Ramos Rosa, Ediciones sin nombre


Can poetry matter?, Dana Gioia, GrayWolf Press

olha, têm o zarolho em francês


(em português e francês)


Sonnets, Luís de Camões, Chandeigne

mais dois foliões

(em português e francês)


L´animal harmonieux et autres poèmes, Vitorino Nemésio, La Différence


L´amant sans amant, Mário de Sá-Carneiro, La Différence

ai meu deus, quem é pediu para lhe guardar este livrinho?


Pequena antologia da poesia palestiniana contemporânea, AAVV, Asa

dois livros de António Franco Alexandre


Quatro caprichos


Oásis

última hora


Luís Pedroso fala, com inequívoca sabedoria, sobre o Magalhães e a Bimby.

vêm de Gotemburgo a pé



e perguntam pelos poetas portugueses que morreram tísicos

para breve


zii e zie


(mais uma bomba de Caetano Veloso)

falando de coisas bonitas



A margem da alegria
, Ruy Belo lido por vários actores, Assírio & Alvim

escreve bem mas às vezes é muito chatinho


O manual das mãos, Eduardo White, Campo das letras

adenda ao post anterior


O mesmo pedido é válido para o disco de Valter Hugo Mãe

(e que o José Luís Peixoto não se ponha com ideias)

singelo pedido de um livreiro sem franja (mas com muitos nervos)


Não me falem no disco do Jacinto Lucas Pires.

João Paulo primeiro

Portugal está a adquirir todos os tiques de um Estado sem alma, autoritário, repressivo, intolerante e socialmente empedernido.

A exclusão e a pobreza são abordadas no capítulo dos casos de polícia; associados aos números da criminalidade, os serviços secretos lançam palpites, para que constem, sobre supostas actividades de "radicais de esquerda"; perante a iminência de mais desemprego, de miséria e de fome, saem à liça os teóricos de serviço a receitar paliativos contra a "revolta social"; e perante a simples constatação do disparo do consumo de álcool entre os adolescentes sugere-se logo a lei seca para os sub-18.

A intenção, para além de revelar uma mentalidade de pendor exclusivamente repressivo, só por si é de absoluta ineficácia. Primeiro, o Estado não tem vagar para aplicar todas as proibições que decreta. Depois, nenhuma proibição levou ou leva ao fim de qualquer consumo. Mas o que tudo isto evidencia é um entendimento sentencioso e autoritário sobre um grave problema que merecia alguma reflexão e intervenção no domínio social. Os adolescentes portugueses que se metem nos copos fazem-no porque a sociedade criou essa moda e dela tira proveito; porque o país está de costas voltadas para si mesmo, especado perante o espectáculo dormente da alienação; porque o Estado não fomenta alternativas salutares de vida nem perspectivas saudáveis de futuro. E por muitas mais razões que uma boa discussão revelaria. Perante o caso alarmante do número de adolescentes que bebem até cair, proibir é uma modalidade de demissão: é não ter coragem nem vontade de compreender e resolver o problema.

E tudo isto se passa com um governo socialista. O PS ou o dicionário, um dos dois está a brincar com coisas sérias.

uma das grandes diferenças entre Jornal de Notícias e o Correio da Manhã é a crónica diária do senhor Manuel António Pina

oJornal de Notícias, às vezes, parece mesmo o Correio da Manhã

em escuta


Los pájaros
, Vicentico.

(com um agradecimento ao senhor Alejandro)

29 março, 2009

há muitos aqui deste senhor


A imobilidade fulminante, António Ramos Rosa, Campo das letras

acaba assim


um livro de Jacques Prévert

(...)

D´un monde sobre et ivre
D´un monde triste et gai
Tendre et cruel
Réel et surréel
Terrifiant et marrant
Nocturne et diurne
Solite et insolite
Beau comme tout.

28 março, 2009

coisas que enervam uma pessoa

estão cá estes


Corpo de ninguém, António José Forte, Hiena


Para acabar de vez com o juízo de deus..., Antonin Artaud, & etc


Clube da poetisa morta, Adília Lopes, Black Sun Editores

bem lindo


(em francês)


Trois lettres de la Memóire des Indes, Al Berto, L´Escampette

com razão


Os húngaros andam de cabeça perdida com a poesia portuguesa.

ela não pode almoçar (e o livreirito ouve )


Miss Otis Regrets
What Is This Thing Called Love?
One For My Baby
You Make Me Feel So Young
Night And Day
Embraceable You
You Do Something To Me
Cheek To Cheek
I'm In The Mood For Love
I Can't Give You Anything But Love
I Get A Kick Out Of You

(entre as vozes de Billie Holiday e do senhor Sinatra,
o swing de Fred Astaire, e a sonolência do oleoso Bryan Ferry,
alguma coisa se rearranja)

Michaux Rules (fugiu com dois senhores e uma senhora)

(em francês)


Une voie pour l´insubordination, Henri Michaux

há uma hora (em repetição)


Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

acaba assim


um livro de Rui Manuel Amaral

(...)

A verdade é que a partir desse dia a vida no paraíso nunca mais foi a mesma. E o contrário também é verdade.

27 março, 2009

Salamanca, Toledo, Vigo, Bilbau, Gijón,


Zaragoza
, José Luis Cano, Media Vaca


(em castelhano)

boa tarde para Viseu


Arte do regresso, Amadeu Baptista, Campo das letras

no espaço de uma hora

foram-se embora duas belezas


Les fleurs du mal, Charles Baudelaire


Paroles, Jacques Prévert

ia havendo porrada


Já cá está o número 3 da Criatura.


(Um dos editores foi abordado por uma poeta
que lhe disse gentilmente:

Lá fora vais amochar.
)

vertiginosa vista

acaba assim


um livro de Alberto Pimenta

(...)

Já ouvi dentro de mim
Um trovão
Fender-me a alma.

Para a unir de novo
Não sei o que terei de enfrentar.

novinhos em folhas


3 Livros Cotovia


Aluimentos, Bénédicte Houart


Arado
, A.M. Pires Cabral


Do princípio, Pedro Braga Falcão

uma maneira de dizer Bom dia

(em francês)


Une façon de dire adieu, Ruy Belo, L´Escampette

26 março, 2009

hoje aqui, amanhã na trama


Intradoxos, Márcio-André, Confraria do Vento

hoje aqui, amanhã na trama


Ensaios radioativos, Márcio-André, Confraria do Vento

especialidades na montra

a propósito de senhores


Fernando Assis Pacheco

fotografado por João Rodrigues, da Sextante.

(cortesia de Luís Guerra e da Assírio & Alvim)

a L´Escampette tem edições tão lindas


(em francês francês)


Malheurs d´Anto & autres poèmes
, António Nobre

as raparigas achavam-no uma estampa



O jardim adormecido
, Mahmud Darwich, Campo das letras

ainda ontem trouxeram esta pérola

também cá estão quase dez de livros deste senhor


Os livros, Manuel António Pina, Assírio & Alvim

se pudesse comprava o catálogo todo da dona Morgana

(em francês)


Fernando Pessoa, l´inconnu personnel, Octavio Paz

acaba assim


um livro de Marie-Françoise Prager

(...)

Le corps une statue
que meurt jusqy´à la mort
elle se dérange
continuellement
l´os se ferait plus transparent
la chair vacille

les mots sont immergés
je suis multipliée

ao qu´isto chegou*



Ainda aparece alguém a dizer que
se recusa a cremar Cavacos e Sócrates.


* Foi o título de uma peça d´A Barraca.

revista de imprensa


Métodos revolucionários provam que
a medicina preventiva está obsoleta.

os árabes são nossos amigos

(em árabe e francês)


Anthologie de poésie arabe contemporaine, AAVV, Actes Sud

Esta antologia, feita por Farouk Mardam-Bey,
é profusa e lindamente ilustrada por um tal Rachid Koraïchi.

25 março, 2009

una perlita de media vaca


(em castelhano)


El paseo de Buster Keaton, Federico García Lorca

um poema


23. (narciso)

o estômago ganha peso e afunda-se. vejo-te dobrado sobre esse caos de pedra, órgão sensível à angústia. observo-te como a um duplo, lado a lado no mesmo auto-retrato. não comeste nada desde manhã, cruzas os climas entre o jejum e a naúsea. conforto-te sem que me ouças: uma vida longa para quem nunca se descobre. como uma maldição que se cumpre devagar.


Livre arbítrio, Tiago Araújo, Averno

mestre Almada


Poemas, José de Almada-Negreiros, Assírio & Alvim

visita boa


A Mariana veio cá.
Na próxima vez trará os bambinos.

um vídeo


para Sandra Filipe



Um excerto de Cinema Falado, de Caetano Veloso

tirando os dois poetas e o mono à secretária


Isto está fantasmagoricamente parado.

dom Diogo gosta do senhor Larkin


(em inglês e francês)


Où vivre, sinon?, Philip Larkin

ainda há dias te dei a mão no museu

dizem


Que o senhor Changuito voltará, em breve,
a fazer umas quatro ou cinco
leituras de poesia no bar A Barraca.

dentro dos envelopes ou dos mails há coisas, digamos, giras

(...)

depois da vida do horácio,
o casamento parece-me ser outra manifestação do génio Almeida.

(...)

acaba assim


um livro de Gonçalo M. Tavares

(...)

Pensou então, se, daquela altura, atirando com força uma moeda à cabeça de alguém, se essa moeda seria capaz de matar. Uma moeda, atirada com força e batendo em cheio na cabeça.
Há pontos do cérebro tão sensíveis que se, a uma certa velocidade, uma moeda, por mais baixo valor que tenha, lhes acertar, a pessoa morrerá, murmurou.

Estava a pensar onde teria moedas, quando tocaram à campainha. O senhor Breton foi abrir.

qual é coisa qual é ela que chegou pela carrinha dos ctt?



Poesia completa (em dois volumes), Miguel Torga, Dom Quixote

nem só pró gato vive o persa


Les Pas de l´eau, Shorab Sepehri, (em persa e francês)